O DISCURSO QUE ME CONVENCE

De repente aperto o gatilho em frente ao mais astuto adversário e… não há munição! Ó céus, como pude ser tão burra! Armada e sem balas! Isso pode ocorrer a qualquer ser humano, ocorre comigo… não, não ando armada, embora muitas vezes já tenha me imaginado salpicando tiros sem rumo, sem norte, ou… em algumas pessoas. (risos)

Acredito que a sensação de estar desarmada diante de uma situação arriscada que pode envolver tantas questões, talvez a própria vida, se aplica ao que considero vital: minha condição de amante apaixonada e voraz por palavras.

Aperto o gatilho e onde está a famosa retórica? Falar sem pensar, escrever sem sentido, embora em alguns momentos tenha o seu brilhantismo, como foi quando Clarice Lispector sob o pseudônimo de Rodrigo escrevia na fugacidade dos próprios pensamentos, procurando palavras para descrever a história da nordestina e irresistível personagem Macabéa no livro “A hora da estrela”, estou me perdendo em uma de minhas histórias favoritas. (suspiros)

Aperto o gatilho e onde está a retórica? Como sustentar um discurso nos dias atuais? Por que sustentar um discurso em um planeta que não se sustenta em suas mediocridades? Mas como parte inerente de nossa condição humana vital, os discursos se fazem presentes, mas a munição… esta não necessariamente.

Aquela sensação de quando se começa a falar e por algum momento a memória esvaece, a munição falta, o discurso é quebrado e definitivamente não convence. Se me perguntassem: qual a sensação mais humilhante e degradante? Responderia: Não sustentar um discurso. Já me senti assim diversas vezes, falando, escrevendo e vivendo…Sim, vivendo, por que a vida não deixa de ser um discurso inconstante, ora quando ando, estou em momento discursivo, ora quando estou apenas pensando estou em momento discursivo e muitas vezes me falta munição. A “tal” da retórica, praticada pelos sofistas, que possui segundo a retórica aristotélica as fases: exórdio; narração; provas e peroração, me convence dos discursos vazios que entoo constantemente ou que ouço mesmo sem ouvir. Afinal, como convencer pelo discurso? Por que convencer?

Sob essa “maluquice” de refletir sobre a complexa retórica, reflito sobre as fases de convencimento que enfrento todos os dias: eu tento me convencer todos os dias. Todos os dias me vejo, falo com meus olhos e não, não há narração que explique quem de fato meus olhos veem.

Busco sentido todos os dias e espero do inesperado, nem sempre tenho provas, outras visões que me levem a algum lugar ou ao conforto de algum esconderijo. Nesta loucura desenfreada, muitas vezes sem sentido que é viver, procuro entoar discursos, convencer, será que conseguirei o frequente gozo da bendita peroração?

Discursos vagos, discursos claros, discursos em silêncio, silêncio como o mais poderoso discurso…

O momento mais sublime é quando penso algo sem formular nenhuma pergunta, mas sei, que se trata de uma pergunta e não preciso me responder, por que o meu silêncio disse mais do que tenho dito nos últimos dias.

Não falar em um mundo tão barulhento de ideias, voracidade e disputa por  espaço é o triunfo do discurso que convence. Não falar, estar em silêncio, estar no silêncio é o que convence que discursos são sim, caros sofistas, poderosos, por que não precisam nem ao menos de “voz” para se tornarem retumbantes e persuasivos.

Quero ser convencida com mais frequência do poder discursivo do silêncio que me rodeia e do silêncio que há em mim.

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