UM TAL DE CHICO CARVALHO

Em um feriado dos muitos e “ainda poucos” feriados brasileiros, resolvi assistir à peça Ricardo III do autor William Shakespeare e me deparei com… Ricardo III. Não imaginava que agora nas peças de teatro era possível encarnar espíritos em homens, ainda mais espíritos de homens “presos” nos livros… Mas ali estava ele, repleto de malignidade, astúcia, com discursos poderosos, transbordando passionalidade, um homem que reinou.

Mas quem era aquele homem? Sim, eu já disse, era Ricardo III e ponto final. Mas e quanto àquele corpo que comportava a personagem? Personagem? Não, espírito, espírito maligno de um homem que reinou e foi descrito em um livro clássico. Mas enfim, que corpo era aquele que comportava não sei bem o quê?

Certa vez com quatro anos de idade fui à uma peça em que não recordo o nome, me lembro que havia princesa, havia príncipe, bruxa e um livro encantado. O livro se abria e de dentro dele saía a cabeça de um homem que havia sido enfeitiçado e se transformado em livro. Eu saí da peça e não me lembrava da princesa, do príncipe, da bruxa, a única coisa em que pensava era: Como? Um livro falante! Mãe eu vi um livro falante!

A peça é um espetáculo ímpar, os atores que a compõem de talento inquestionável, mas o corpo que comportava “o que não sei bem o quê” me instigou. Usando a minha condição jornalística não foi difícil descobrir que o “mentor” que incorporava Ricardo III era um tal de Chico Carvalho. Reparei nos traços do ator e percebi que ele é transparente. Será que todos os atores são transparentes? Transparente porque é verdadeiro? Não…transparente porque é capaz de mostrar qualquer alma. E quando eu o vi comportando a alma de Ricardo III, pude ver mais do que um ator, pude ver, ouvir, sentir as agonias de um homem ambicioso que reinou na Inglaterra, cujos feitos e trâmites até que ascendesse ao poder fossem retratados pelo brilhante autor William Shakespeare. Eu vi Ricardo III em pleno século XXI repleto de semelhanças com homens que representaram até aqui a vasta História.

Eu vi um homem capaz de comportar o mais horrível e o mais belo dos homens, eu ouvi uma tonalidade de voz que pode ser a voz que qualquer personagem deseja. Eu vi por meio do transparente Chico Carvalho a alma de um homem atormentado pela própria ambição, tão grotesco, tão maligno, tão apaixonado… que despertou a minha paixão!

Não seria pretensiosa para considerar este texto como crítica, não vou a muitas peças de teatro, não costumo ver atuações nem mesmo em novelas (não suporto)… Por quê? Por que já me basta o vazio de um planeta pretensioso demais diante de um Universo infinito, me bastam as “inverdades”. Então o que vi em um feriado que tinha tudo para ser um mórbido feriado, foi um ator… Mas o que me impressiona é… não o vejo como ator, ele é transparente, ele me mostrou a alma de um rei inglês.

Esse tal de Chico Carvalho me impressionou e não sei o que ele faz para trazer almas de volta à vida.

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3 comentários em “UM TAL DE CHICO CARVALHO

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