SER VALENTE

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Em uma tarde de domingo me deparo com uma animação que já havia assistido: Valente, da Disney Pixar. Em outro momento quando vi o filme não o considerei da mesma maneira que hoje.

Uma princesa que foge dos padrões de beleza, mas condenada ao que dita a maioria das histórias clássicas que têm princesas: precisa casar com um príncipe. Merida não queria um casamento, queria ser livre para escolher seu destino e se casar com quem quisesse. A mãe não aceita a decisão da filha e trava uma briga que parece interminável. A jovem princesa então é guiada por luzes mágicas até a floresta e encontra a casa de uma bruxa, um feitiço é comprado e a mãe da princesa corajosa se transforma em urso. Diversas aventuras e, Merida passa a compreender a mãe e a mãe a compreender a filha, a maldição se não desfeita até o pôr-do-sol corria o risco de se tornar definitiva.

Merida desejava que a mãe mudasse o comportamento, deixasse de pensar apenas em si mesma e pensasse também nela, a princesa não esperava que a única maneira de transformação que faria com que a mãe a compreendesse fosse transformada em urso.

E valente então não seria apenas a coragem desenfreada da jovem princesa, a mãe precisava ser valente para mudar e quem sabe para sempre ser um urso.

Uma história repleta de detalhes, repleta de medo, um filme de nome Valente, em que em quase todo o momento, mãe e filha lutavam com “medo” e valentia para que o destino não às perpetuasse como filha que errou e mãe que se transformou em alguém melhor e em urso.

Confesso que adoraria que existissem pequenos feitiços capazes de mudar situações que me desagradam da maneira mais simples, mas não… não é assim. Muitas vezes querer mudar pode implicar em uma transformação como essa… maluca, em urso, em elefante cor-de-rosa, em girafa sem pescoço, em algo que assusta à primeira vista, mas guarda algo de fato precioso: a própria essência.

Aí em um filme de animação percebo que uma princesa é apenas uma moça comum cheia de sonhos que não aceita a sua sorte e quer que tudo seja diferente, mas que para isso, terá de enfrentar um exército que lutará contra o urso que mais ama.

Ser valente de fato não é vencer no arco e flecha, ser valente muitas vezes é não vencer. Perder pode ser a única maneira de ganhar, perder pode ser a única forma de se salvar.

Ser valente é acreditar em algo, mesmo que só você perceba o quão precioso é e lute para que seja visto, talvez você se transforme em um animal improvável e nem acreditem que é você, mas se houve transformação interna, isso não fará diferença.

Ser valente não é simplesmente cortar uma flecha ao meio e acreditar que a valentia é fruto de talento, valentia é lutar para que ursos que amamos continuem vivos e possam ser quem são ou ser vistos como realmente são.

Luto pelos meus ursos que tanto amo, luto com minha velha flecha em prol do que acredito, sinto medo e talvez eu seja o próprio urso, que não sabem que sou eu, mas que se sente bem pelo simples fato de ter sido transformado.

Eu perco para ganhar, eu me esvazio para ser quem sou, eu não desisto e talvez a valentia seja apenas não recuar, mesmo tremendo a todo momento.

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