ESCOLHA

Será que eu caibo no jornalismo? Será que o jornalismo me cabe?

Eu o compreendo como uma personagem que me convoca em alguns momentos, estranhamente sei quando é “ele” quem chama e não o obedeço por submissão, sempre me pergunto: o que eu posso fazer para satisfazer esse tal de jornalismo?

Ele exige algumas habilidades que me confrontam, como a objetividade e texto ordenado, que para o meu “mundo” são exigências demasiadamente difíceis em corresponder, mas ainda assim tento, aprendendo com dificuldade a maldita arte de mutilar palavras… com  muito sofrimento.

Estranho, mas sinto imensa dificuldade em escrever sobre o assunto, porque preciso encontrar objetividade para defini-lo, mas não posso. Se eu não posso ser naturalmente o que ele exige, então como poderia me definir como jornalista?

Se não consigo responder às seis perguntas básicas para entender o que me fez escolhê-lo, então o que faço em sua teia?

Dificilmente paro para tentar entender, seguir é muito mais fácil, não questionar é muito mais fácil, mas sou eu e eu sou assim, sempre questionarei.

Minhas questões nunca findam, minha curiosidade jamais cessa, eu quero saber, eu preciso saber. Se eu me enterrar será que consigo conhecer os segredos dos mortos? Se eu mergulhar, será que algum leviatã pode me contar um pouco sobre o mistério obscuro dos mares?

Desta forma, sem respostas, mas repleta de perguntas, acredito que a escolha talvez não seja a minha escolha, nem tampouco a “dele”, da personagem em questão. Eu tenho o que ele quer, um mundo infindável de questões e uma curiosidade que não cessa e ele tem sede. Mas como nada é perfeito, ele precisa lidar com meus devaneios e se perturbar com minhas metáforas, não deve ser fácil para o coitado do jornalismo aturar uma pobre alucinada sonhadora, não deve ser fácil colocar essa pobre criatura no caminho mais fácil quando ela prefere se atirar de um precipício e ir nadando sem saber nadar para qualquer lugar, só por simplesmente “acreditar” que encontrará alguma resposta. Mas ele não sabe o que fazer, afinal, ás vezes a maluquice dela dá o que ele procura. Que relacionamento o nosso não é jornalismo? Não sabemos o que nos une, são sabemos quem de nós escolheu quem, mas estamos juntos e não podemos nos separar. Erramos juntos, caímos juntos, nos deliciamos juntos. Sei que se alegra quando encontro o caminho que quer em minhas loucuras, eu me alegro quando consigo uma objetividade tão “absurda” em meu mundo, mas que sei que lhe agrada.

Senhor, ás vezes garoto e na maior parte das vezes afoito jornalismo, que possamos continuar nesse pacto sem sangue, nessa caminhada sem respostas, eu não posso responder o porquê te sigo e você o mesmo, mas estamos juntos. Mas deixo bem claro, não faço questão de ser sua, se não puder me dar as aventuras que me vivificam então me enterrarei e perguntarei aos mortos se o tal do jornalismo não morreu com eles.

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