A voz que a Folha de S. Paulo ocultou

Uma mulher de nome Patricia Secco foi alvo de inúmeras críticas por conta da proposta da tradução de algumas obras machadianas e de José de Alencar

 

Mas quem é Patricia Secco? Por que é isso que primeiramente um leitor deve perguntar a si mesmo. Qual o trabalho que ela realiza? Patricia Secco é professora, escreve há 18 anos com ênfase no público infantil e coordena diversos projetos de incentivo à leitura, como este que tem sido alvo de tantas críticas: “Os Clássicos e a Leitura”.

Em relação às críticas que têm sido propagadas por conta do projeto e da maneira como tem sido veiculado na mídia, Patricia diz:

O que me faz feliz é estar no meio das crianças, dos leitores de meus livros, que o tempo todo me cercam do maior carinho do mundo. Melhor ainda se estas crianças são de alguma escola pública ou de uma comunidade carente, que nunca tiveram oportunidade de ter um livro de histórias e ficam extremamente felizes com os livros que lhes entrego.

Muitas vezes, entretanto, jovens e adultos se aproximam pedindo os livros, me dizendo que gostariam muito de começar a ler, de se tornarem leitores. Claro que eu lhes ofereço meus livros, mas a possibilidade de poder lhes presentear com um texto mais especial nunca me saiu da cabeça. Foi assim que nasceu o projeto dos clássicos adaptados, que tem sido tão criticado.

Mas mesmo assim, mesmo em meio às críticas, acredito no resultado deste trabalho, que ainda nem começou.

Patricia narra um fato ocorrido com ela:

Tomei um táxi no final da tarde, e como era de se esperar, o trânsito estava impossível.

Para passar o tempo, puxei conversa com o motorista, um senhor muito simpático e falante, e é claro, perguntei se ele gostava de ler. Sem pestanejar, ele respondeu que sim, que sempre que tinha um tempinho mergulhava em uma boa leitura.

Perguntei que livros ele gostava de ler, e ele, infelizmente, não soube me responder. Vi que ele estava embaraçado, sem graça, então mudei o rumo da prosa… mas só um pouquinho.

Perguntei se ele gostava de Machado de Assis, ou de José de Alencar. Ele ficou perdido, não sabia o que responder. Eu percebi que ele estava buscando uma associação com os nomes, estava tentando lembrar quem eram estas pessoas.

Sem deixar que o constrangimento aumentasse, indaguei sobre os clássicos da literatura brasileira. Queria saber se ele gostava de algum. Para esta pergunta, entretanto, ele tinha uma resposta pronta: “Não me interesso por este tipo de livro, não, moça! São tão cheios de letrinhas e de palavras difíceis que a gente desiste antes de começar!”.

Foi a deixa para que eu chegasse no ponto que eu estava procurando, desde o começo. 

Perguntei a ele se ele gostaria de ganhar um livro, um livro escrito pelo maior escritor de todos os tempos, escrito por Machado de Assis. Disse a ele que este livro teria letras de bom tamanho, ilustrações interessantes, e prometi que a leitura seria muito prazerosa, convidativa. Ele me olhou com desconfiança, e disse que adoraria ganhar o livro.

Ofereci a ele o único exemplar do livro “O Alienista” que eu trazia comigo. Ele folheou o exemplar, aparentemente leu algumas linhas, olhou para mim, abriu um sorriso enorme, e me agradeceu, enfaticamente.

Sabe, se este senhor conseguir ler o livro até o fim, se ele se interessar, e se tornar um leitor, todo o projeto já vai ter valido a pena. É este o meu objetivo.

 

 

 

 

 

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