Ah! As Fantasias…

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Foto: Daiana Barasa

Livros, rabiscos, brinquedos, sujeira, gargalhadas por besteiras… Ah… a doce infância! Fase encantada repleta de fantasias, sonhos malucos que hoje podem parecer absurdos.

Quando criança minha história predileta era a Alice no País das Maravilhas e o que há de lúcido nessa narrativa clássica? O coelho apressado com seu relógio de bolso; o gato misterioso que some na escuridão; a lagarta que orienta trilhas; biscoitos que agigantam; cartas de baralho com vida… O que há de lúcido na doce infância?

E esses são alguns dos “absurdos” essenciais que me tornaram quem sou, absurdos mágicos, encantadores que mesmo “amadurecidos” com alguma lucidez ainda estão em minha essência.

Foram muitos os rabiscos desconexos com giz de cera, foram muitos os brinquedos, as imaginações, as “loucuras infantis”, habitei em inúmeros lugares (castelos, calabouços, cavernas, charretes, palácios…), fui tudo o que quis ser (veterinária, médica, professora, secretária, atriz…) até mesmo tinha o dom de “ressuscitar” formigas, sim, quando os insetos estavam virados impedidos de caminhar, com a ajuda de um palito de dente eu os direcionava para que prosseguissem… E me sentia bem por ajudar formigas!

Comia sem me preocupar com molhos, guardanapos, mãos sujas, e não sei por que, mas o sabor da comida na infância era imensamente mais delicioso do que hoje.

Os sonhos eram tão possíveis e não importava o que meus olhos viam, eu iria ser astronauta, pisar na Lua, viajar pelo espaço e não importava o que os astronautas precisavam saber, eles eram ao meu ver o que queriam ser, aliás, qualquer pessoa poderia ser o que quisesse e era o que quisesse… eu pensava assim.

Cresci, e naturalmente deixei de avistar com frequência o coelho com seu relógio de bolso, não conseguia mais falar sozinha a todo momento com os seres mágicos que imaginava, não podia simplesmente parar tudo o que estivesse fazendo para dançar ao som de Lua de Cristal, eu precisava ser adulta… Argh!

Mas e aquele mundo doce, encantado, mágico? E aqueles seres que tornavam tudo encantador? Há algum tempo quando percebi que era “absurdo” ser adulto abri a porta que me levava ao mundo da infância e nunca mais a fechei. Não, não poderia suportar o peso de um mundo regido por mediocridades, não poderia viver sem um mundo que não me permitisse sonhar, “enlouquecer”…

À necessária infância um brinde com drink de algodão-doce sabor anis! Ao absurdo a minha saudação! Quem disse que não posso ser astronauta? Quem disse que não posso pisar na Lua? Quem disse que não posso viajar na maionese? A idade adulta? Ei… eu sempre terei a infância em mim, já dizia o brilhante William Shakespeare que nós somos feitos dos tecidos de que são feitos os sonhos. Se há escolhas a fazer, escolho manter na alma o lugar intacto para a eterna criança, escolho olhar para o coelho apressado e ao invés de dizer: Eu cresci coelho! Quero dizer: Para onde vamos?

Ah! As fantasias…Tão absurdas, tão necessárias, tão infantis… malucas. A infância deveria ser eterna e os espelhos quebrados. Mas é eterna! E quem reflete a eterna criança são os sonhos…

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