VIVA E DEIXE MORRER

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Não adianta escapar do fim, você pode adiá-lo, mas não impedi-lo, o fim chega para as folhas no outono, para os animais, para as pessoas, para admirações, para sentimentos, o fim pode chegar.

Nessa vida maluca cheia de irregularidades, nesse mundo repleto de incoerências, porquês e ausências de repostas, nessa vida encontramos em momentos inesperados… um final.

A morte é um fato que definitivamente não podemos revogar, é como se jogar em um rio impetuoso e desejar dominá-lo, não adianta, as águas são mais fortes.

Viver é realmente complexo, incerto e qualquer outro adjetivo que queira usar para significar a sua irracionalidade. Nos deparamos com momentos em que o fim surge e não, não podemos lutar contra essa sentença. Sabe aquele desespero de querer que algo ressuscite? Não sei se já passou por isso, mas pode acontecer em um emprego que não está dando mais certo, em um relacionamento ferido e desgastado, em uma relação até mesmo de amizade abatida por alguma circunstância, quebrar é natural, o fim é natural.

Recentemente vi um filme em que um garoto sacudia um morto e gritava para que acordasse, é assim, não estamos prontos para aceitar o fim, para aceitar que algo morreu, queremos que algo aconteça, que haja ressurreição.

E é dessa inaceitação da morte que as fantasias se alimentam, o que seria da Bela Adormecida se depois de beijada pelo príncipe não despertasse? O que seria do sapo se depois de um beijo de amor não se transformasse em príncipe? O que seria da Alice se não despertasse do sono? O que seria das fantasias se o fim não fosse o “The End” e sim o final da ilusão?

É importante deixar morrer, entender quando não há mais saída, entender que aquele caminho já não gera mais trilhas, entender que aquela relação não dá mais frutos, que aquele sentimento não existe mais, é importante entender que o fim é o fim.

Deixar morrer não é covardia, deixar morrer não é sinônimo de fracasso, não é perda de batalha, até mesmo porque você não pode impedir o fim, deixar morrer é viver e entender que faz parte da vida o processo de renovação, quando algo deixa de existir para que algo novo nasça.

Me lembro do primeiro livro marcante que li na adolescência No fim dá certo, se não deu é porque não chegou ao fim do querido Fernando Sabino, era um livro de histórias, crônicas entrelaçadas sob a perspectiva de que a vida é repleta de desajustes, de percalços, e essa frase No fim dá certo é a mágica do que estou tentando lhe dizer, o fim “dá” certo. O fim é importante, é o curso natural, os momentos de morte são necessários para que a vida seja a vida.

Viva e deixe morrer, o que não quer dizer que você tenha que morrer em si mesmo, quer dizer que você precisa estar “vivo” o bastante para que os períodos de morte não sejam o seu final absoluto. Deixe morrer, viva e deixe.

 

 

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