Maluquices minhas, tão minhas :)

lindo coelho

Bem… podem me taxar de vez de maluca, mas certa vez não me reconheci no espelho, estava em um restaurante aguardando para entrar e me intriguei com uma garota que me olhava insistentemente: eu (muitos risos), a garota me olhava e eu me incomodava: “Por que essa menina me olha tanto?” Eu devia ter uns onze anos na época, tinha o hábito de usar o cabelo preso e desta vez estava solto, mas não creio que apenas isso tenha sido o suficiente para o episódio, essa impressão de ser “admirada” durou cerca de três minutos e é claro que se conto para alguém, a pessoa tem certeza de que não sou normal.

Continuo rindo muito enquanto escrevo, essa situação foi muito engraçada, tive várias impressões sobre mim sem saber que era eu: chata, cabelo bonito, olhos intimidadores, arrogante, enfim, eu me irritei com aquele olhar no reflexo do espelho e quando percebi que era eu, logo caí na gargalhada.

Mas quantas vezes tem sido assim? Quantas vezes me olho no espelho e não me reconheço? Quantas vezes olho para o meu reflexo e ao contrário do dia cômico, não consigo ver pequenos detalhes? Quando reconhecemos e exaltamos nossas próprias qualidades não se trata de soberba ou egoísmo, mas de amor por si mesmo, interesse por si mesmo.

Não há pessoa que eu queira conhecer mais do que essa que lhe escreve, não há alguém mais incompreensível para mim do que eu mesma, eu sou um mistério e sempre vou lutar para me desvendar.

O engraçado é que quando criança, tive as minhas peculiaridades, sei que toda criança tem, mas minhas experiências não foram apenas imaginárias, me lembro de ver pequenas fadas coloridas e brilhantes quando ia dormir, não sei se minha imaginação materializava as imagens, mas realmente eu via esses seres voando ao meu redor antes de dormir e pode pensar que não há solução, que estou condenada à loucura, mas até hoje não penso que tenha sido apenas imaginação.

Havia uma brincadeira “secreta” que adorava, esperava meu pai chegar do trabalho e quando meu pai e minha mãe estavam em casa e minha mãe finalmente trancava a porta para irmos dormir, eu acreditava que havia botões internos nas paredes, acionava um código imaginário e tinha certeza de que enquanto estivéssemos dormindo, a casa flutuaria no espaço.

E não para por aí… Eu tinha curiosidade de saber como os peixes sobreviviam embaixo d’água já que eu não poderia, então questionava: “Será que os peixes sobrevivem por que não pensam e não sentem que estão debaixo d’água? E se eu também estou debaixo d’água e não sei, assim como o mundo todo está?”

Estou contente de lembrar disso agora, de verdade, muitas vezes tenho a sensação de “perdida” no universo, em diversos momentos me sinto na contramão, não é fácil viver questionando, mas uma coisa posso afirmar: sou imune ao clichê.

Não sou como a maioria dos seres humanos “fabricados em série”, não desisti de pensar. Meu corpo é meu porta-alma e não uma “isca” para atrair olhares, meus olhos não apenas veem, mas são ávidos por enxergar; minhas mãos não se contentam em tocar, elas querem sentir algo de concreto e o concreto muitas vezes não se pode ver.

Plutão, continuo aqui no planeta Terra, extraviada e ao mesmo tempo feliz, de verdade… De gargalhadas por me recordar das minhas maluquices na infância, agora me sinto emocionada porque mesmo sem saber qual é o caminho, sei que o caminho é esse, mesmo sem saber o que fazer, sei que estou fazendo o que deve ser feito. Agradeço por ser assim, muitas vezes é doloroso, mas vale a pena quando a dor ajuda a evoluir.

Caro coelho, eu sempre te perseguirei, e sim, estamos atrasados.

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