POR QUE O JORNALISMO?

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Sou Daiana Barasa, ‘escolhida’ pelo jornalismo. Sou antes do meu nome um ser inquieto em busca de respostas, não há uma explicação exata sobre o porquê da escolha por jornalismo, na verdade, não consigo enxergar como uma área em que escolhi atuar. Vejo o jornalismo como uma ‘tábua de salvação’ que sempre esteve guardada em minha alma.

Não sou o tipo de pessoa que conta quantos livros leu ou que procura não cometer erros, guardo o conhecimento que adquiro em silêncio, acho imensamente medíocre a vanglória por qualquer ‘saber’ que se tenha. Sobre cometer erros, espero continuar exercendo a minha humanidade errando e encaro a imperfeição como um ingrediente indispensável que talvez não represente apenas a complexidade de viver, mas seja a própria vida.

O mais encantador do jornalismo é a capacidade de trazer à luz aquilo que as pessoas não veriam ou não conheceriam. O jornalismo é o incessante exercício de saber ouvir, muito diferente do que muitas pessoas acreditam ser esse ofício. Quero descobrir, questionar, ‘brigar’ por uma história que acredito que seja relevante, me diminuir para que uma personagem da vida real possa ser mostrada, para que uma história seja conhecida.

O jornalismo é um refúgio por que posso ser ‘invisível’ enquanto a vida é retratada, sei que muitas vezes o profissional está sujeito a expor a própria imagem, mas é apenas por um momento, o que realmente importa é aquela denúncia, é aquela situação que alguém vive e que precisa ser mostrada, é aquela mobilização que estão fazendo coletivamente por um objetivo, a realidade é o compromisso do profissional de jornalismo.

Essa é uma profissão deliciosa em que os bons profissionais não surgem apenas por bons professores, por bons exemplos ou por boas universidades, aliás, bons profissionais nem sequer surgem, eles sempre foram bons e nem sempre são reconhecidos por essa virtude.

Minhas notas sempre foram medianas, confesso que muitas vezes passei ‘raspando’ em provas e, para ser bem sincera, sempre passei despercebida por meus professores, ninguém nunca se importou com quem eu era ou com o que pensava, mas o que me conforta é o carinho das pessoas com quem trabalho e das pessoas que me confiaram suas histórias.

Há uma magia em torno do jornalismo que me encanta: é um ofício árduo, que envolve seres humanos e que requer mais que um diploma, requer humanidade, respeito, transparência e em alguns momentos: renúncia.

Ser jornalista aos meus olhos é um exercício de humanidade. Não é apenas olhar uma situação desagradável, por exemplo, mas ter condições de denunciar, de brigar, de contestar.

Infelizmente a procura de muitos pela carreira de jornalista está relacionada com ‘estrelismo’ e desejo de visibilidade, as pessoas não compreendem que o jornalismo é um imenso palco em que a atração a ser mostrada está na realidade dos fatos, está nas histórias de vida, está  na frente do jornalista, o jornalista não deve aparecer, o ofício é informar e não ser a própria informação.

O jornalismo ‘me escolheu’ porque não sou nada, porque não pretendo usurpar sua essência, porque não pretendo agradar os desagradáveis em troca de quaisquer benefícios, porque sou ser errante, tenho alguma coragem e nenhuma barreira mental.

Sou livre, penso incessantemente, não pretendo ser como ninguém, mas ser o que sou, não sigo receitas, quero criar novas fórmulas.

Quero reconhecimento para as histórias que já contei e para as que ainda vou contar, quero que algo mude em prol da resolução de uma situação aflitiva, quero que o brilho incida sobre a realidade que posso mostrar, para que as pessoas vejam, julguem, esbravejem, para que as pessoas possam expressar sua humanidade por meio desse ofício tão humano.

Sou Daiana Barasa, jornalista por vocação ou por loucura talvez, não nasci para seguir o caminho habitual, sou da contramão, me interesso também pelo cachorro que mordeu o homem e nunca deixarei de questionar. Que nessa vida tão breve eu possa fazer algo positivo que mude para melhor a vida de alguém em alguma parte do planeta.

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