A BITUCA ACESA E A FUMAÇA DESENHISTA

cheshire-cat

Se me pedissem um texto sobre flores, provavelmente lembraria das azaléias, camélias, bromélias, margaridas, entre pétalas. Se me pedissem um texto sobre peixes, me lembraria do espada, do salmão, do palhaço, entre escamas. Mas e se me pedissem um texto sobre uma bituca? E se fosse sobre uma bituca na calçada? Sim, esse foi o maluco pedido de um maluco professor. Uma crônica de 30 segundos sobre uma bituca, sobre o que causaria de catástrofes se assim eu unisse uma bituca a dezenas de outras e trouxesse um texto repleto de tragédias e enchentes. Mas não aceito a calçada, não quero considerar esse detalhe, quero apenas considerar a bituca e colocá-la no lugar em que me convém.

Então estava caminhando  por entre as pétalas das flores que não lembro quais eram porque não estava prestando nenhuma atenção naquelas flores, quando me deparei com uma bituca acessa cuja fumaça persistente em se esvair realizava desenhos desconexos que misturavam um tom azulado na noite alaranjada, o mais curioso é que a fumaça não cessava de desenhar pequenas linhas, e as pequenas linhas cresciam em direção a uma grande árvore, em que curiosamente um ser arroxeado estava a descansar. Mas o que seria? Que animal seria este de cor tão sublime?

De repente, um miado preguiçoso pude ouvir e o ser de barriga para cima estava a sorrir. Não, não posso crer, esse é o gato que sorri, esse é o gato de Cheshire, esse é o gato que só existe no País das Maravilhas!

Não satisfeito em miar, o ser de olhos amarelos me fitou e disse com voz engraçada dentro de um sorriso preguiçoso: Olá! − Precisamente respondi: Olá, você é o gato do País…

− Ei, ei, ei, mas quem é você que sabe de onde sou?

− Querido gato, você que está mais do que acostumado com suas filosofias e enigmas, quer então me desvendar? Quem sou? Mas que disparate! Não lhe direi quem sou e sinto muito por saber quem você é.

− Hahahahahahaha mas que hilária! Estás a se fazer enigmática!

− Não, caro gato, apenas quero jogar o seu jogo e caminhar dentro do seu charme felino.

− E como me encontrou?

− Segui a fumaça que saía da bituca.

− Oh! Mas que curioso hahahahaha.

− Sim, a fumaça não cessava de realizar desenhos desconexos e então lhe vi aí em cima…

E foi assim que o perdi de vista, de maneira que não consegui identificar se era realidade ou fruto da minha imaginação. Quando procurei a bituca no chão, também havia desaparecido.

Uma bituca acessa de onde saía fumaça que formava desenhos desconexos que me levou até a personagem que eu achava que só habitava em uma história clássica infantil.

Uma bituca, entre nicotina, que me levou a um gato que sorri. Uma bituca que gerou um texto, sem nenhum sentido ou com algum sentido. Uma bituca que por um momento me fez sorrir. Me fez entrar em prosa com o gato roxo, de sorriso largo e de olhos amarelos. Uma bituca capaz de levar ao País das Maravilhas. Uma bituca capaz de fazer sorrir? Sim, algo desprezível aos olhos capaz de tornar a vida encantadora e mais colorida. Uma bituca que me fez perceber que os pequenos sinais podem levar aos melhores momentos e que podem até mesmo trazer o País das Maravilhas até a minha realidade alternativa.

 

 

 

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