Ao pé da letra

bob

Se você é da geração que assistia assiduamente ao desenho O Fantástico Mundo de Bob, deve ter rido muito e viajado muito na maionese não é mesmo? Uma criança que levava tudo o que lhe diziam ao pé da letra e que imaginava a partir de uma única ideia coisas mirabolantes, transformava a exatidão em algo alucinadamente abstrato.

Que criança não é assim? Que criança não imagina piamente algo que lhe é dito? Bem, eu imaginava de uma maneira tão profunda que tenho a certeza, absoluta, de ter visto um trenó voando quando criança e de ver todas as noites seres mágicos coloridos minúsculos voando ao meu redor. O preocupante é que cresci e prossigo com essa loucura, mania ou alucinação de levar ao pé da letra essas malucas e vivas palavras.

Prossigo com essa maluquice de ver elefantes coloridos voando quando as coisas não vão tão bem com o pensamento: Olha só como a vida pode ser mágica!

Continuo com aquela sensação de peixe fora d’água quando me dizem algo complexo como: Faça esse cálculo! Ou: Imagina pela perspectiva de Darwin… Ei… não nasci para a exatidão, não sei lidar com aquilo que é concreto, não sei simplesmente responder uma questão sem usar palavras como: Surpreendente; incrível; absurdamente; espetacular… Preciso adjetivar, preciso trazer um sentido abstrato para aquilo que julgo impossível absorver: exatidão.

Sou do tipo de pessoa que demora alguns segundos para cair em si quando algo lhe é dito, antes sou capaz de imaginar literalmente o que ouvi ou li como se estivesse diante de uma tela branca e a cada palavra de outrem fosse impulsionada a reproduzir em desenho com um esforço absurdo!!! (risos)

Posso ver minhas bandas favoritas tocando na minha frente, posso sentir aromas e imaginar texturas de algo que simplesmente ouvi ou li. Talvez essa seja a razão da morbidez que insiste sem sucesso em me rodear, o meu mundo particular existe no meu exercício de imaginação e o meu pesar em alguns momentos é que ele poderia existir literalmente. Mas também penso que se o meu mundo particular existisse como mundo real, se tornaria mórbido, tão mórbido que eu me obrigaria a  idealizar um mundo novo com os meus adjetivos favoritos com uma pitada de loucura.

Bob é aquela criança que não morre, aquele ser pequeno de cabeça grande para comportar tamanha liberdade mental. Os elefantes coloridos estão se apresentando agora, acho que tenho algo mais divertido a fazer do que escrever…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: