Ser mulher e ter de carregar a pesada bagagem

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Eddie Redmayne como Lili – A garota dinamarquesa ❤

Sou mulher e levo comigo não apenas a inerente feminilidade, mas levo também bagagens além da minha vida, bagagens históricas, culturais, sim, estou ainda em um lugar de fraqueza, em um lugar de muitas tempestades e confesso que não me importo porque já estou encharcada.

A bagagem me aguardava mesmo antes de eu nascer. Seria considerada neurótica, dada ao histerismo, seria uma sentimental incorrigível, mais uma para a fila da aceitação… Sim, uma bagagem pesada e que me seria fardo sem o meu consentimento, sem que eu pudesse ter a oportunidade de aceitar ou não carregá-la. Mas carrego. Depois de um certo tempo, quase não se sente o peso, porque o foco não é exatamente o incômodo, o foco é transpor as limitações.

É difícil ser mulher, pode acreditar. Ser julgada como um todo mesmo antes de ser conhecida, ser taxada antes de sequer saber sobre os próprios adjetivos (bons e maus).

Falar sobre sexualidade ainda pesa, se fazer conhecer por peculiaridades é um duro cálice.

Se você não quiser ser mãe, é anormal e se quiser ter filhos é uma insana. O próprio universo de mulheres é repleto de contradições. Há aquelas mulheres que decidiram o que querem ou não e mediante suas escolhas julgam e condenam outras que optaram seguir caminhos distintos.

Para ser sincera, não sei sobre o que quero mais. Gosto de crianças, mas não sei se quero ser mãe. Embora tenha a minha visão de que relacionamentos são absurdamente complexos, sou uma romântica incorrigível, acredito no amor. Mas essa sou eu e essas são as minhas incertezas… Consigo admirar mulheres que são mães, esposas, consigo ver com profundo carinho os bebês rechonchudos e sim, consigo reconhecer as dificuldades no meu universo feminino sem odiar os homens, pelo contrário, os admiro.

O que me entristece mesmo é essa sociedade repleta de setores, de estruturas e com uma linearidade que me assusta por que sei que não posso acompanhar e por não acompanhar posso ser excluída antes mesmo de dizer a que vim, aliás, eu vou precisar gritar com a alma para me impor.

Ser mulher é ser forte, é ser em muitos momentos cega para não ter de arrancar os próprios olhos.

Quando um exame diz que a criança será uma menina, acredite, quer dizer também que precisará de muito mais, e quando essa menina tiver consciência sobre a bagagem que a acompanha, a sensação será essa de que escrevo: um misto de cansaço e força. Duas vertentes que se enfrentarão dentro de si ao longo do caminho.

Mulheres realmente choram mais, mas é indiferente já que estamos tão encharcadas daquilo que nem podemos mais nomear.

Vivo nessa batalha árdua, em carne viva, vivo nessa batalha cansativa, mas luto para exalar força.

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