Esperando por dias amenos

Escute-o-silêncio

Duas amigas em um táxi parado no trânsito ‘clichezaço’ de São Paulo. Entre risadas, uma delas esboça: Tá foda! A outra responde: Viver tá bem foda! O motorista apenas olha como se quisesse dizer: Tá mesmo! A intenção das duas era apenas um happy hour como a maioria das pessoas faz em uma sexta-feira, mas o trânsito não permite…

Voltando para casa no metrô ‘meio vazio’ – porque é preciso um pouco de positividade –, elas constatam que os últimos dias têm sido no mínimo estranhos.

Afinal, que porra tá acontecendo? Que pessoas são essas que andam por aí? Não, gentileza não gera gentileza, assim como tolerância não gera tolerância.

Duas pessoas tipicamente fervorosas e impacientes, mas que em meio aos últimos acontecimentos se percebem altamente tolerantes…

Hostilidade e em reposta… silêncio! Um silêncio que incomoda os hostis. Um diálogo entre olhares e uma hostilidade enfurecida como que clamando por uma resposta em mesmo nível.

Duas pessoas que não dispensam boa comida, passam a provar nos últimos dias os piores pratos, feitos com rancor, frieza, destempero… estômago que aperta, ânsia que persiste e risos frenéticos sobre o que poderia ser feito se a tolerância não persistisse. Aliás, rir… Rir de maneira desesperadora, rir até a barriga doer, rir do pior, rir do absurdo.

Esse mundo, esses táxis, essas pessoas, essa hostilidade, esses carros, esses vidros, esses transportes, esses últimos dias… Sem álcool, sem álcool, sem álcool!

Nossa! Não percebem não é? Não percebem que percebemos?

Anote aí: Temos de ser gentis, tolerantes, solidários, amáveis e tudo mais, apenas porque mantém a alma sã e curada e não porque essas qualidades atrairão reciprocidade… Não atrairão! Não espere por isso… Ora ou outra talvez você vai se deparar com uma exceção agradável, mas sem ser negativa, apenas realista, te oriento: não se acostume. Sim, infelizmente não se acostume com as benevolências.

Seja gentil, tolerante, fique em silêncio para não se igualar à hostilidade, mas… apenas seja, aprenda a destruir o espelho que há em você, porque esse espelho é uma ilusão, não há reflexos.

Bem… sobre as duas amigas… elas seguem a vida em silêncio por enquanto, talvez não seja ainda tempo para falar, elas esperam por dias melhores, e por estarem tão atordoadas nos últimos meses, elas preferem trocar o ‘melhores’ por ‘amenos’.

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