SOBRE OS AMORES LÍQUIDOS

Primeiramente acho importante lhe explicar sobre o que seria o termo ‘líquido’. Foi criado pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman para se referir à flexibilidade com a qual as relações são estabelecidas, principalmente no meio virtual, em que relações podem nascer e morrer com a mesma facilidade. Vivemos em um mundo em que as pessoas têm cada vez mais dificuldades em manter relações a longo prazo.

Para entender melhor sobre a complexidade que o mundo virtual nos impôs recomendo que assistam ao filme argentino Medianeras: Buenos Aires na Era do Amor Virtual, um filme delicado que conta a história de dois personagens adoráveis: Martín e Mariana, que vivem na grande cidade Buenos Aires. Solitários e desiludidos, eles já se encontraram em situações cotidianas pelas ruas argentinas, mas nunca se viram.

Imagem do site filmesegames.com.br
Imagem do site filmesegames.com.br

Junto a essas histórias um tanto melancólicas, outras situações podem ser observadas, as construções modernas de Buenos Aires, os inúmeros prédios, as irregularidades que lembram as irregularidades da própria vida, a falta de espaço que gera sufocamento, que gera solidão, vontade em se refugiar…

É estranho mensurar o quanto a era virtual é necessária até mesmo para as pessoas que se declaram “avessas” à tecnologia em todas as suas formas, isso porque a tecnologia se tornou uma necessidade, pessoas constantemente necessitam da comunicação via e-mail, por mensagens de texto, pelo atual whatsapp, entre outros. Não se trata do quanto se é acometido e usuário dessa maluca “virtualidade”, se trata de ser “infectado” como a maioria das pessoas é.

Hoje é comum que relações sentimentais se estabeleçam em sites de relacionamentos em que milhares de perfis de pessoas distintas podem se conectar e, em que gostos isolados como “lasanha” podem ser a peça-chave para que se atribua a duas pessoas um motivo para que se conheçam.

Martín é um aficionado pelo mundo virtual, vive uma fase de depressão e está acostumado a fazer tudo pela internet, inclusive sexo. Mariana é uma mulher desiludida do amor após o término de um relacionamento de quatro anos, mas ao contrário do seu vizinho Martín, prefere se esconder do mundo virtual, prefere uma vida mais ‘manual’, com o mínimo de intervenção tecnológica.  Mas mesmo assim é essa tecnologia que não se sabe se é vilã ou mocinha que unirá essas duas histórias.

A intenção não é criticar ou elogiar a era virtual, mas impor uma reflexão sobre a tal liquidez de que fala o sociólogo Bauman. Que essa necessária tecnologia não corrompa a “humanidade” e não tire o aspecto “encorpado” das respeitáveis relações.

Sejamos mais humanos, mais autênticos. Vamos refletir mais, repensar nossas ações. Que as pessoas sejam usuárias mais conscientes da tecnologia e que não percam a noção de que mesmo na era virtual pessoas são pessoas, não perfis, objetos ou até mesmo meros personagens.

Texto escrito para o site Tamanho P

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