O amor, paixão ou rolo não requer “rituais”

Se as complicações desta vida se resumissem às malditas fórmulas matemáticas acho que estaria tudo certo, não é mesmo? Mas infelizmente essas fórmulas insistem em nos assombrar. Ao invés de números e letras, o que se tem são atitudes preestabelecidas.

Há alguns dias vi um pedaço de um vídeo que vendia um relacionamento perfeito, era um manual que prometia uma vida de conto de fadas, como se todas as mulheres fossem “as loucas” que precisassem ser adestradas para de fato estarem aptas para um relacionamento saudável. Mas não existe só esse, mas diversos manuais e fórmulas para homens e mulheres “desesperados”.

Quando escrevo me sinto na obrigação de me abrir e confesso: já me rendi sim a algumas fórmulas, mas fórmulas como: se ele não falar, não fale; se ele ligar aí sim pode ligar; recue se estiver muito à frente etc. Entendem? São rituais, pequenas fórmulas que são disseminadas por aí… Que colocam todas as pessoas em um mesmo grupo e o classificam, como se todas as pessoas fossem iguais, pensassem da mesma maneira, tivessem as mesmas aspirações na vida etc. Na verdade, o que muitas pessoas desejam é transformar o coletivo em uma grande fórmula exata para que exista o controle, para que nada fuja do controle. Mas eu sempre levanto a bandeira do: As pessoas são singulares… É isso! Cada pessoa é de um jeito, por mais que vivam em grupo com outras pessoas de uma mesma cultura. Acredito no pensamento individual.

Mas o amor, a paixão, o encantamento, sei lá o que mais…não é algo que possa ser assim manipulado como uma receita de bolo… É vivo, feroz, solto, é quente. Devemos nos expressar… Sem fórmulas, fazer aquilo que der vontade, como num jogo apostar as fichas, com aquele brilho no olhar de jogador nato, mesmo que na verdade você tenha jogado pouquíssimas vezes. A fórmula é ser você mesmo, com seus defeitos e qualidades, a fórmula é se jogar como ficha e apostar… Sim, você pode perder e perder feio, mas e aí? Qual o problema nisso? Você pode se rasgar depois, chorar, soluçar, ouvir aquelas músicas românticas, principalmente dos anos 1980 (risos), mas o importante mesmo é que tenha sido você, é que tenha se mostrado como é e por mais que se sinta decepcionado, jamais poderá dizer: acho que não fiz isso ou aquilo ou não fui eu nessa história.

O único jogo que deve existir é aquele em que você é a ficha, o único ritual que deve haver é o ritual de ser você mesmo, com todas as suas imperfeições.

Há uma música do Lulu Santos “Apenas mais uma de amor” em que a letra diz: Se amanhã não for nada disso/Caberá só a mim esquecer/O que eu ganho, o que eu perco/ Ninguém precisa saber… Mas contrariando a música, acredito que o que se ganha e o que perde não importa se saibam ou não, o que vale é o exercício, o que vale é deixar o coração bater descompassado.

Texto escrito para o Portal Sare

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