Quem ficará com Poliana?

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Poliana é uma mulher de 26 anos. Teve um relacionamento de 4 anos e se viu naquela fase de ‘carência’, naquela fase de necessitar da presença de alguém. Resolveu se inscrever em um aplicativo de encontros e como que pescando em ‘lago de piche’, conheceu Rafael.

Rafael tinha 34 anos, era biólogo e não tinha lá o jeito para conversar, eram poucas as palavras, mas falavam-se com frequência. Após muitas e muitas desculpas de Rafael, finalmente Poliana o conheceu. Foram a um bom bar e entre uma cerveja e outra eram muitos risos e conversas sem muito sentido. Saíram do bar, entraram no carro e lá Rafael continuava com aquele ‘papo furado’ que no fundo só tinha uma finalidade: beijar Poliana. O beijo rolou, algumas carícias mais quentes, mas Poliana achou que era tarde e quis voltar para casa… No dia seguinte, Rafael estava diferente, falava como que por educação ou como Poliana pensava: parecia uma espécie de ritual para não ser tão incoerente desaparecer assim… do nada.

Rafael estava planejando há algum tempo uma viagem e um dia, entre as escassas conversas, disse que finalmente iria viajar, Poliana não esboçou nenhuma reação fosse por mensagem com uma carinha qualquer ou pela própria expressão facial. Rafael se foi.

Não passou muito tempo, Poliana se inscreveu em um site de relacionamentos e conheceu algumas pessoas, conversava, analisava e pensava “Que merda é essa?”. Não passou muito tempo, conheceu Maurício, de 32 anos, divertido e com uma porção de qualidades que Poliana admirava em uma pessoa. Parecia um cara mais maduro, solto, com histórias relevantes de vida que pareciam ter feito daquele homem um homem diferente dos outros que havia conhecido até então.

Conversavam horas e horas via o tal do whatsapp, eram muitas risadas, mensagens de voz, eram muitas e muitas histórias. Maurício era engraçado, mas também já deixou escapar para Poliana outras facetas de sua vida, de sua personalidade e ela pensava “Um amigo!”.

Sim, aliás, isso era dito com frequência, principalmente por parte do Maurício: “O mínimo que teremos disso com certeza é uma amizade…”

E logo as palavras deram lugar a milhares de emoticons, desde os divertidos até os mais ‘pretensiosos’, as carinhas de apaixonado, os corações… E embora Poliana não se atentasse, estava sim caindo na armadilha da própria carência, estava se envolvendo.

Finalmente resolveram se conhecer e tudo parecia o mais legal além do legal. Foram a um bar, depois de um tempo rolou um beijo, voltaram para casa e até então, tudo estava ok…

Os dias se passaram e Poliana percebeu uma certa diferença no comportamento de Maurício, estava mais distante, embora não demonstrasse tão claramente. Poliana não se continha, acreditava que aquela ‘amizade’ de fato existia e então sempre procurava manter contato, mas sempre percebendo que havia algo diferente, estranho, vago… Até que percebeu que Maurício estava dando algumas desculpas para não conversar mais. A moça também pensava que estava exagerando por tentar manter o contato, mas ainda assim, acreditava que o que havia era ao menos a tal da amizade “que era o mínimo que se teria de tudo aquilo”.

Até que Poliana resolveu então se distanciar de uma vez por todas. Maurício? Nunca mais apareceu, aquela conversa ficou para sempre para depois.

Os dias passaram e a moça muito triste só sabia chorar, não por Mauricio, mas principalmente por si mesma, por ser tão tola por acreditar assim tão facilmente em qualquer história, em qualquer pessoa, por se deixar em um momento de carência se levar tão facilmente pela própria vulnerabilidade.

Foram duas histórias repletas de vazio que deixaram na moça um tremendo pesar. Foram duas histórias vagas que fizeram Poliana questionar: “Afinal, quem era mais vazio, Maurício ou Rafael?” Depois de muito questionar, Poliana teve a resposta: O vazio nesse contexto todo estava nela mesma.

E assim, um dia, a moça resolveu parar de chorar, recolheu os cacos de si mesma que caíram no chão e um dia como que num passe de mágica, se flagrou rindo consigo mesma ao cantarolar uma canção.

E no final, Poliana ficou consigo mesma, parou com a pescaria no lago de piche e desistiu de ser um perfil em site de relacionamentos. Poliana entendeu que era humana e que precisava de humanidade e verdade, principalmente dela para com ela mesma.

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