O homem sem sexo e sem nexo

kkkkkkkkkkkk

Fernanda  sentada em um pub está tentando cantarolar com seu péssimo inglês aquele clássico do Guns N’ Roses: Little patience, yeah /Need a little patience, yeah… E pois é Fernanda, só mesmo a paciência, não é mesmo?

A moça ouvindo esse clássico entoado por uma banda alternativa, de repente: “Sozinha, gata?”

Caralho! — ela pensa, — odeio essas expressõezinhas clichês! — Mas o que custa Fernanda?

O cara tinha cabelo comprido, mas não era natural, nem mesmo Fernanda gostava daquele efeito nos próprios cabelos lisos, preferia-os com volume e movimento… Mas… Lá estava o Eduardo, se esforçando para ser gentil… Ao fundo, a voz insistente do Axl Rose pedindo para que a moça tivesse paciência!!!

Naquela onda de: sei lá o que é isso! Fernanda se deixou embalar pelo beijo do rapaz… Excelente beijo! Excelente promessa de… refúgio.

Não satisfeito com o “gata”, o roqueiro começa a cantarolar as músicas que seguem, e Fernanda suspira dentro de si: “Foda demais! Se não bastasse a banda não ser tão boa, tenho comigo esse protótipo de roqueiro!” — ela ri e o cara acredita que é com ele aquele riso solto. Mas ela deve isso ao Jack meu amigo… Deve ao bom e velho uísque.

E os beijos seguem e Fernanda, sinceramente não sabe ainda o que está acontecendo. Ela, tão romântica, tão certa do que quer, ali, solta, e agora ao som de Janis…

Fernanda não sabe o que faz… Não consegue entender ao certo sobre aquele tal de Eduardo que surgiu.

Conforme ele fala, ela tenta discernir se aqueles feitos eram contos soberbos sobre si mesmo ou se era apenas alguém falando de si querendo impressionar.

Está tarde… E um convite desses convites malucos: “Vamos para um lugar tranquilo?” — a moça, com seus vinte e cinco anos e certa de si mesma resolve aceitar o convite. Há algum tempo sozinha, por que não se divertir com um cara que parecia ser bacana? Lá no fundo…

Chegando no motel, Eduardo se aproxima como um garoto e Fernanda começa a pensar: “Queria mais um uísque e algumas músicas mal tocadas!”— as carícias seguem e de repente algo mais do que constrangedor deprime a moça… Além de não conhecer bem Eduardo e além de não ter certeza se era aquilo que ela queria mesmo com tanto uísque, o cara não tinha o que se pode chamar de “pênis”, sim…. parece cômico e é cômico, mas o pau do Eduardo era… talvez nunca tenha sido. Ela tenta disfarçar, mas é como se o clitóris dela fosse maior do que o (sei lá o quê) do Eduardo.

A “brincadeira” acaba, Fernanda volta para casa, e no dia seguinte não sabe o que fazer com os telefonemas de Eduardo. Ele pareceu legal, gentil e tudo mais… E ela resolve dar uma chance para conhecê-lo melhor, eles começam a conversar durante a semana e Fernanda vai percebendo algumas nuances de comportamento em Eduardo um tanto estranhas… Soberbo, em diversos momentos falando com um ar de preconceito, se achando superior por viver na zonal sul de São Paulo e por um doutorado…

Fernanda se reúne com uma amiga e ao contar do ocorrido, a amiga não aguenta e solta uma gargalhada, Fernanda também não se aguenta e gargalha. Eduardo com toda essa pompa de “pavão misterioso”, sem as míseras qualidades que tornam um ser humano atraente, sem qualquer traço de vulnerabilidade que denunciasse a falta de um pedaço físico que lhe conferisse a nomenclatura macho alfa!

Após algumas indagações e conversas com suas amigas, Fernanda pensa: “Não, realmente tamanho não é documento, aliás, nenhuma parte física define algo sobre alguém, mas se não se pode ser “ereto e grandioso” na vida e tampouco no físico! Affff…” Fernanda sente medo de que alguém sequer ouça  esse seu pensamento e a taxe de preconceituosa, de cruel… Então só lhe resta subir o som: one, two, one, two, three, four… Paciência!

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