A infância, a velhice e o brilho eterno de Virgínia D. Carneiro

Virgínia
g1.globo.com

Hoje acordei refletindo sobre o paradoxo que vivo. Exalto a infância sempre, tenho comigo em riste a bandeira do “Seja criança enquanto existir”, mas ao mesmo tempo vejo na velhice um brilho intenso e me lembrei de um vídeo, me lembrei do vídeo da Virgínia D. Carneiro, veiculado após a exibição da novela Viver a vida.

Aquela vivacidade de Virgínia, os relatos das dificuldades que poderiam fazer com que qualquer um se despedaçasse diante da vida e cresse que nada mais faz sentido, mas a maneira como ela relata, a força com a qual conta sua história, bem… É encantador, é libertador e tem uma sabedoria que reaviva a esperança.

“Fui muito rejeitada, ninguém acreditava em mim” – assim ela inicia contando a sua história. Virgínia conta que sempre tinha que lutar para provar que poderia fazer, que poderia conquistar.

A própria mãe dela disse que com os muitos problemas de saúde que ela tinha jamais poderia se casar.

Em Belo Horizonte, a cidade de Virgínia, ela relata que a única “aleijada” que conheciam era ela.

“Você não pode!”

“Se você não fosse assim!”

“Quando você melhorar…”

“Se eu não fosse assim… Eu sou assim”

“Quando eu melhorar… Nunca melhorei”

As pernas tortas devido a uma poliomielite, “aleijada”, era essa a palavra que constantemente ela ouvia, inclusive dos seus pais.

“Se tentar ter filho vai morrer no parto” — essas foram as palavras dos médicos para o pai de Virgínia.

Ela teve um casamento que durou 56 anos, teve seis filhos.

“Fé é acreditar na sua força, no seu Deus dentro de si, nas suas possibilidades e esperança é o impulso que nós temos de prosseguir mesmo que a vida esteja difícil e não paralisar”.

E veja só, não sei se ela usou a palavra “paralisar” como metáfora comparando com a condição de paralisia em suas pernas, mas é assim que ela compreende o nosso papel diante da vida: não paralisar.

“Muitas pessoas pensam que são os fatos que nos atingem, que são as circunstâncias da vida que nos atingem, os planos de Deus que nos atingem, mas na verdade eu sempre achei que o nos atinge é a forma de enfrentar as circunstâncias da vida. A maior lição da minha vida foi que eu descobri que eu mesma é que criaria obstáculos para mim mesma, porque eu é que construo minha própria vida”.

Com 86 anos, Virgínia por meio desse relato desperta a vivacidade nas almas.

Sobre o paradoxo do qual escrevi, acredito que a velhice e a infância são duas extremidades ao mesmo tempo em que são “forças vitais” inseparáveis. É preciso ter essa força e essa mente livre da infância para que se conquiste uma velhice repleta de sabedoria e vivacidade.

Todo ser humano tem a capacidade de se refazer por mais sombria que tenha sido a sua trajetória e novamente uma das frases que mais me impulsiona na vida passa a fazer ainda mais sentido: “Não importa o que fizeram com você, mas aquilo que você faz daquilo que fizeram com você”, de Jean Paul-Sartre.

“A emoção me faz chorar. A tristeza me faz crescer”.

O vídeo da Virgínia: https://www.youtube.com/watch?v=EVcM4RX4lmE

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