OS CHATOS QUE VIVEM NA SOCIEDADE DOS “LEGAIS”

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Há alguns dias li um texto que falava sobre uma “geração de mulheres chatas” e que estavam sozinhas porque eram chatas. A autora resolveu classificar um grupo de mulheres que ela nem conhece e que sequer sabem que fazem parte de um grupo. Resumindo é o seguinte: as mulheres chatas são aquelas que ficam nos bares com bolsas caras falando mal dos homens e que são tão chatas que nenhum homem quer estar com elas. Aí mesmo que você assim como eu vá a um bar apenas para encher a sua cara e quem sabe dançar ou se você assim como eu caga para marcas e para valores de sapatos, bolsas e afins… mesmo assim, você está no grupo das mulheres chatas.

Mas o que me fez questionar não foi bem o lance da “mulher chata” que ninguém quer, mas esse lance de enfiar todos em um mesmo barco, esse lance até de se cegar para os próprios erros de fabricação. Porque, viu? Somos imperfeitos pra caralho!

Eu sou um ser chato, tenho as minhas neuras. Quem me conhece sabe disso e convive com isso. Às vezes acordo num humor horrível; tem dias que só choro, sem motivo ou com motivos do tipo “o mundo é cruel”; não gosto de beber nada no mesmo copo de ninguém; não gosto de sentir que estou suando, me sinto um gambá na rua; não gosto de coisas muito personalizadas, exemplo: um lugar em que tudo tem formato quadrado, sei lá, me irrito, e sim, tem a ver com restaurante de comida japonesa e sim, odeio comida japonesa… Sabe, se eu for enumerar as minhas particularidades que soarão como chatices para algumas pessoas! Olha…

Mas quem não tem as suas peculiaridades? Quem não tem as suas chatices? Quem não tem um jeito que ou precisa lutar para dar uma melhorada ou que só a galera que gosta mesmo é capaz de conviver? E isso vale para homens e mulheres.

Essas regras impostas são uma grande merda no mundo. Já ouvi uma vez de um cara que é feio mulher beber cerveja. Já ouvi de “conhecidos” que em um primeiro encontro mulher tem que se conter, não é legal beber, rir muito ou coisa do tipo. No meu caso, o indicado seria não ser eu, né?

Meu questionamento é: “Quem não é chato?”. Poxa tanta gente no planeta, tantas culturas, tantas vivências e tantas diferenças! É natural que um não se identifique com o outro e que classifique as diferenças que não poderia suportar em si mesmo de chatices. Mas a realidade é que somos seres chatos, somos diferentes, precisamos sempre conversar, nos conhecer e nos associar a pequenas semelhanças o tempo todo que permitam que consigamos “nos suportar” (risos).

Se a mulher está nervosa é “porque precisa de rola” e se o homem está nervoso é “porque dormiu com calça jeans”, mas sabe, transar não muda muito as coisas e nem nos liberta de sermos chatos, viu? (risos)

É sobre isso que queria escrever, sobre a chatice particular de todos os seres humanos e de certa forma, sobre sermos mais transparentes e fiéis conosco.

Embora o desapego seja muito reverenciado e eu realmente acho que um ser humano desapegado vive muito melhor, mesmo assim eu gostaria muito de manter pessoas que gosto em cativeiros ou até mesmo em pequenos potes de maionese.

Eu sou tão alucinada que às vezes as pessoas pensam que estou bêbada quando na verdade estou super consciente apenas querendo conversar sobre assuntos diferenciados.

Sei lá, às vezes penso que poxa, as pessoas escrevem sobre como as pessoas devem ser ou não, até eu posso um dia fazer isso, mas na verdade é como se o mundo todo fosse muito legal e houvesse algumas pessoas insuportáveis que merecessem morrer sozinhas, como eu, por exemplo.

Não vamos nos iludir, a Bossa Nova nos diz “que é impossível ser feliz sozinho”, mas te digo, ser feliz sozinho é uma condição para continuar existindo em um mundo “tão legal” em que o empecilho é você.

Bem, o melhor mesmo é procurar aceitar a vida como ela é e sem essa de autoenganação. Sou chata, você também é chato. Somos chatos.

Estou aqui pensando em adotar alguns gatinhos e se Deus me permitir viver mais alguns anos serei chamada de “a véia dos gatos”, porque essa sociedade em que vivemos é tão “legal” que enfia todos num grande pote e coloca o rótulo “chatos”. Tá vendo a diferença? Eu com a minha chatice guardaria cada um dos meus queridos em um pote só para eles (risos). Comenta aí! Vamos ser chatos juntos!

 

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