Por uma vida mais leve, apenas

leveza

Há algum tempo eu nem pensava em Twitter, tinha uma conta lá, mas nem mexia e nem parava para ver como funcionava, mas hoje se transformou em uma opção, se quero alguma rede social aberta, prefiro ver o que rola no ninho, no grande ninho de pássaros mais ‘comedidos’.

O Facebook se transformou ao meu ver em uma rede social “antipática”, em páginas de humor não se pode fazer humor, em páginas de política ou de notícias, os comentários se transformam em briga virtual ou massacre.

Há grupos, ativismo, discursos, ideologias, há muita “problematização”, há muito o “querer ver um outro lado” e às vezes é como se querer ver o outro lado fosse quebrar o espelho para tentar descobrir quem é a pessoa no reflexo, aliás, foi assim que Narciso da mitologia grega morreu, se procurando no reflexo das águas.

A cada dia sinto mais pesar do mundo, do que acontece entre as pessoas, a cada dia sinto mais e mais pesar do quanto as pessoas fazem questão de tornar a vida um fardo, se já não fosse assim por si mesma.

Às vezes só queremos rir, sem ver nada além de algo engraçado, mas é como se a inquisição nunca tivesse sido abolida e talvez fosse melhor mesmo se houvesse a fogueira física no lugar dessa “sarça” invisível de fogo, de línguas, de vociferações, de pessoas que dizem como você deve se portar diante do mundo.

Sempre criam uma palavra nova que você verá na maioria dos discursos. Quando se fala em feminismo e em defesa ao parto natural, por exemplo, usam com frequência em textos a palavra empoderamento. Agora tenho visto muito a palavra empatia e problematizar. Aí vejo pessoas mega antipáticas e apáticas, mega egocêntricas que querem impor a empatia, a troca de ideias, desde que a própria ideia prevaleça sempre. Vejo a tal problematização daquilo que passaria numa boa e impediria muitos pesares se não fosse cutucado como se cutuca formigueiro pelo simples prazer de ver algo sendo “desconstruído”, mesmo que não se possa consertar depois.

Estava vendo posts sobre o ciúme de Ivete Sangalo (que nem acredito que tenha sido sério, acho que Ivete brinca muito), sendo alvo de análises comportamentais, “o ciúme, uma insegurança proveniente de uma construção social, mulheres não deveriam rir disso”. Achei engraçado, por ser a Ivete, pelo humor que sempre carrega, não “problematizei”. Se eu tivesse problematizado mais do que a vida já se problematiza sozinha, teria me suicidado e é verdade! Teria enlouquecido e perdido de vez o viço de viver.

Jesus Cristo em um dos livros no Novo Testamento disse que basta a cada dia o seu mal e que se preocupar com o dia de amanhã quando este nem chegou é tolice. Devo problematizar o fato de Cristo ser uma pessoa do gênero masculino? Ou devo usar esse ensinamento de Cristo como uma “acomodação” e não fazer nada para realizar os meus sonhos?

Gente, só sei que tá foda. E realmente não faço parte de nada, nem de direita, nem de esquerda, de ativismo algum, se eu quiser fazer algo, ter alguma ação em prol de alguém, não estará nas redes sociais, não vou propor problematizações a ninguém. Me recuso a radicalismos, aliás, fujo. Quero preservar o pouco de sanidade que ainda me resta ou de loucura. Quem sabe a loucura seja então a sanidade?

Aí pergunto obviamente, a você que lê, porque Mark mesmo não leria nada aqui, pergunto ao léu, ao criador do Facebook: “Imaginava que as redes sociais fossem tão antissociais assim? Imaginava que essa rede fosse assim o que pode se chamar de maneira contemporânea de ‘agente de problematização’?”

Sério, tá chato, tá difícil, tá um verdadeiro cu interagir no Facebook e talvez por isso o Twitter seja um instrumento mais ameno, pela restrição dos 140 caracteres que poupam as pessoas de enlouquecerem e até estimulam a um certo humor.

A vida está pesada por si só, será que o lance não seria torná-la mais leve tentando ser mais leve? Será que as pessoas não deveriam se cobrar menos por essa de ter sempre um discurso a ser feito, uma questão a ser levantada? Gente, o silêncio, o pensar, o respirar, é uma maneira de comunicação também, acho que principalmente de se comunicar consigo mesmo. Respirar, olhar para si, quebrar esses jugos de que tudo tem que ter um porquê e uma grande reflexão.

Quando vi o filme AI – Inteligência Artificial me emocionei muito com a história… pessoas produzidas em série como máquinas, uma “evolução” que  fez a humanidade deixar de ser humana e, o que vejo hoje? Vejo máquinas, pessoas como que produzidas em linha fordiana, pensando todas de uma mesma maneira e querendo impor suas ideologias sobre os outros. Vejo pessoas que precisam de teorias para viver. Precisam teorizar tudo ao redor. Transformar tudo em problematização para que haja transformação. Que transformação? Que transformação pode haver quando as pessoas querem se comportar como máquinas e não como gente?

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