O cão das orelhas únicas

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Simba com quase  oitos anos

Poderia ser um cão como qualquer outro, desses que não recusam jamais osso ou coisa alguma. Mas todo cão tem algo único, tem uma marca, uma sina, a sina de Simba foi ser leão em corpo canino. E ele parecia mesmo um leãozinho, com aquelas orelhas enormes, cheias de pelo e um tanto estranhas para orelhas de Cocker, já que eram mais largas, com um quê de Snoopy.

Quando penso em Simba, penso em como ele era enérgico e em como a energia dele cansava. E quem não se cansa com a energia infantil? A gente só não cansava na infância.

Simba era desses cães únicos, que marcam a vida, o coração e que abrem um espaço no peito, desses que ficam guardados, inabitados, mas misteriosamente cheios de afeto.

Ele se foi há pouco mais de oito anos, mas é sempre como se fosse ontem e até hoje meu pai surge com a imagem de um cão parecido com o Simba — apenas parecido.

Faz um tempo que pensei no porquê nunca escrevi nada sobre ele em nenhum momento, já que o espaço no meu peito de amor por ele é tão grande e intocado.  Mas isso se deve à culpa. À sensação de culpa porque quando ele morreu eu não estava e não o vi nos últimos momentos, não pensei que ele seria sacrificado, mas que voltaria para casa e bem. E ele não voltou.

Pensava que seria como desrespeito escrever sobre o cão que mais amei, mas com o qual me sentia endividada. Sim, eu me senti endividada com um animal, eu considero os animais mais humanos do que a mim mesma às vezes. Pensava que se eu abusasse de lirismo nas palavras seria como desrespeito a um amigo que não vi em seu último momento, como se fosse algo que o fizesse se entristecer em algum lugar.

Animais são tão puros, tão sublimes, que não acredito que a existência desses seres não seja algo cuidado para além da morte.

De tempos em tempos sonho com ele. Sonho com aquele pelo macio, com aquelas orelhas lindas e com aquele jeito com o qual eu o abraçava. Sonho e no sonho ele sempre está bem e me amando da mesma maneira, sem essas minhas neuras humanas. Porque os animais não têm essas limitações que surgem a cada cinco minutos e que nos fazem questionar a nossa própria condição humana. E não é pela irracionalidade, mas porque parece que eles já sabem que a vida deles será de outro jeito, mais breve.

Nunca mais vi um Cocker com aquelas orelhas.

Simba foi um amigo desses que a gente não perde nem depois que morre, porque parece que algo fica para sempre, na mente, na alma, nos olhos.

O cão das orelhas únicas merece ser lembrado. Estará comigo Simba, enquanto eu existir.

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