A gente é feito de Sonhos e de Coragem

coragem 1

Uma das primeiras coisas que não entendia quando criança era quando diziam que o homem era fruto do pó da terra. Achava estranho o fato de Deus criar o homem do pó, do barro ou como alguns preferem chamar, do lodo.

E é maluco pensar que a Terra sofre e que o homem fruto do pó da terra está se degenerando, assim como as espécies de animais, de plantas e todos os ecossistemas. Seria realmente bem deprimente pensar naquilo que era rotina nas aulas de Ciências, de que fazia parte do ciclo da vida nascer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer. Como uma sina bem desalmada de pensar a vida, mas que alguns preferem chamar de realismo.

Aí a gente aprende com o tempo que não é bem assim nessa ordem que as coisas acontecem, às vezes levamos a vida toda para nascer de verdade… Crescer e se desenvolver, nem se fala, e há ainda um difícil mistério que nos espreita, a morte — que pretende nos sequestrar a alma antes do fim absoluto.

coragem 2Sonho, sonho calada, às vezes grito pelas palavras, mas sonho, sempre, sempre e com aquela enxurrada de esperanças, que se me perguntarem de ondem vêm, direi que tampouco sei, aliás, direi… Vem da divindade, vem da fé, vem do exercício da espiritualidade.

A gente quer da vida o sumo do que ela pode oferecer. A gente quer viver, quer ver, quer ter, percebe que ser é a anestesia e é.

Quando me deparei com a citação de Shakespeare de que somos feitos do mesmo tecido de que são feitos os sonhos, a mesma sensação de incompreensão pairou sobre mim, mas sem a infância como escudo. Não compreendia em totalidade e rapidamente, por ser adulta. Por ter comido o maldito biscoito que agiganta e que quase impediu a doce Alice de adentrar de corpo e alma no País das Maravilhas.

E se somos feitos dos mesmos tecidos dos sonhos e se os sonhos têm tecidos que sequer podemos ver, então somos o quê? Somos nada? Não… Somos tudo o que quisermos ser. Os tecidos dos sonhos têm a forma, a cor e as gravuras de vida e esperança que tivermos em nós mesmos. E se os sonhos morrerem, morreremos juntos. Assim como é com a Terra, que é pó e com a qual degeneramos a cada descompasso com o respeito, com a pureza, com a vida.

É preciso ter coragem para admitir Sou feito de sonhos, ora, é como dizer para uma grande multidão “Não sou nada!”, não se tratará de mentira, é verdade, mas é como se uma partícula de esperança no peito apagasse e caçasse mais partículas para o fim — para a morte absoluta.

Nem todo mundo, é verdade… Mas em cada canto da Terra há gente feita de sonhos e de coragem , há gente espreitando da janela a hora do salto, há gente esperando o vento para brincar de ser sopro.

Tem um tanto de gente assim no planeta, que se ausenta da multidão e que faz a coragem reluzir como esses insetos de luzes à noite. Há um tanto de gente feita de sonhos, que não esmorece, que não se cansa, que quer, que sabe que alcança e que não, não deixará de dizer que sonha, que acredita. O mundo é mundo de chão e sonhadores são seres dos ares, de árvores e de coragem. Sonhar é coisa para selvagens.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: