A risca

A risca

No asfalto, na mata e no chão de cera tem uma risca,

Direção presente no chão, um jeito de ir,

Não vou, não posso, não arredo o pé.

 

Açoites me esperam, talvez velas e estridentes nãos,

Que não assustam, não a mim.

O único som que me move é o das almas que clamam,

Clamores se conhecem.

 

Me comove o clamor do cachorro,

Do gato recém-envenenado por telhado errado,

Me questiono o não ser animal, porque também não penso.

Esqueço, feneço por crer que não haverá armadilhas,

Por que haveriam?

 

As riscas, as direções, as maneiras que levam ao lugar,

Que não quero ir.

Ora, não vou!

 

Aconteceu,

Uma risca se fez na alma, no peito,

Não é dessas de chão, de asfalto, de mato, é risca de sina,

É risca de louco, é risca de gente dada à insanidade.

 

Quem rasga na alma é a paixão,

Quem fere o peito é a compaixão,

Meninice, estranheza.

 

Aconteceu, um risco,

Telhado errado e o veneno jogado,

Sei, entornarei,

Mas a morte não me contará com os seus,

Porque o céu sou eu, porque perder-se é salvar-se.

 

 

 

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