Sirva para viver

planeta-terra

Adoraria ter o dom de cozinhar, poder ter uma confeitaria com vários doces especiais, mas que fizesse o dia das pessoas parecer mais leve, suportável… Sei lá, uma das coisas que mais gosto de fazer é sentar, comer e beber… Talvez fosse confortante ver pessoas sentadas, comendo, bebendo, conversando e por um momento, se sentindo mais leves, apesar de todas as angústias cotidianas.

O que mais vemos nesse mundo? Gente abrindo a boca e dizendo o que faz, o que é, como é… Gente que diz que é mestre nisso, doutor naquilo, diretor daquilo e te digo, ainda que eu enfiasse uma letra maiúscula nesses tantos títulos, seria nada e sabe por quê? No final, somos todos pó, no final somos todos podres.

No fim das contas, todos precisamos de alguém, de algo, todos dependem, respiram, não é mesmo? E se de repente não houvesse mais oxigênio?

Apesar de todas as preocupações, de tantos problemas, de tantas questões, de tanta angústia, nós sempre podemos servir, sempre podemos auxiliar, sempre podemos dar uma mão… Certa vez estava perdida, tive uma conta invadida via-internet, a agência ficava em uma cidade que pouco conhecia… Aí lembro que entrei desnorteada no ônibus e um senhor completamente bêbado me perguntou: “O que foi?”, imagino mesmo a minha cara de desnorteada, já que não disfarço, já tinha até chorado de raiva antes, e aquele homem ali, me pergunta logo que me vê, sobre o que eu tinha, expliquei, ele me deu a informação e no final ainda disse: “Calma minha filha, tudo vai ficar bem”.  Vejam que para ver o meu desespero, ele não precisava sequer de sobriedade, era preciso apenas sentir, olhar, os “sóbrios” estavam todos ocupados, paralisados e aquele homem ali me enxergou e me disse com tamanha certeza que tudo daria certo, realmente deu. Ele me serviu, me serviu com a paciência dele, me serviu com a experiência dele, me serviu talvez com a ausência de barreiras em si por conta até mesmo do álcool.

Foggy Cemetery Background

E aí segue-se um roteiro, segue-se uma ordem, uma linha e, tudo claro, estará como deve ser… Haverá o lugar do serviçal e o lugar do “senhor”. Do pobre diabo e do bem abastado.

Mas não vamos nos iludir, na verdade tudo não passa de um grande espetáculo com roteiro, mas sem roteiro algum. Tudo não passa de uma grande e boba vaidade humana, não há inferiores, tampouco superiores, não há os que nasceram para a escravidão e os que nasceram com o privilégio da “prosperidade”. No mundo há apenas quem serve e quem não. Quem serve para viver e quem vive achando que merece apenas ser servido.

Há quem ache que no final o bom saldo da vida seja o saldo de prestígios e deleites, mas no final o que conta é uma coisa chamada caráter, decência, o que conta é o título da servidão, é a pretensão em ser despretensioso em um mundo que faz das pessoas grandes lixos de luxos.

E no final, o Universo dá uma resposta certeira, no final algo fala mais alto e é uma coisinha ínfima que atende por verdade, que atende por transparência, no final é simples, o que é não precisa se esforçar para mostrar o que naturalmente faz existindo. Vamos servir para viver, vamos orientar caminhos aos perdidos, ainda que estejamos tão perdidos quanto.

Sejamos menos merdas, esses títulos idiotas não conferem a ninguém nenhum selo de humanidade, nenhuma garantia de caráter. Para ser gente é preciso penar, é preciso servir, não ter medo de se ferir e não permitir que o ferimento fique aberto para sempre. No fim a morte chega, os corpos irão se decompor por completo, os títulos poderão até ser lembrados, mas se um servente deixa o mundo, é como se um rastro de humanidade permanecesse nessa terra de meu Deus. Ora! Os títulos são títulos e ser gente é SER e verdade é um negócio que o Universo faz refletir sobre os pobres diabos de corpos podres.

 

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