Crianças devem ser crianças

madu fofura
Foto: Daiana Barasa   Madu ❤

As crianças merecem a atenção. É fundamental que lutemos pelos seus direitos, integridade física, para que tenham lazer, cuidados, proteção, enfim, é fundamental que sejam respeitadas, mas acima de tudo, a criança deve ser respeitada como criança e ser infantil… isso mesmo, precisa ser o que é e fazer o que sabe fazer… criancices.

Vivemos na era digital, em que crianças desde muito cedo já sabem lidar com aparelhos eletrônicos, já sabem jogar videogames, vivemos em tempos modernos em que desde cedo crianças precisam se adequar à modernidade e agir como pequenos adultos. Quanto mais cedo falar inglês melhor, não é mesmo? E por que não falar italiano ou espanhol? Deve tocar algum instrumento… Mas eu quero brincar mãe! Quero brincar pai!

Percebem? Há uma violência quase imperceptível taxada de “cuidar do futuro”, violência contra a simplicidade da infância. Sim, a infância é simples, é brincar de desenhar, é se sujar de barro, é cair depois de correr no esconde-esconde, é tropeçar pulando corda, é mexer no nariz sem pensar nos bons modos, é soltar pum e dar risada, é ser criança. A infância precisa ser livre.

Madu brincando
Foto: Daiana Barasa

E para que eu não pareça radical, uso como exemplo o filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, que em seu livro Emílio de 1762, sim, em pleno século XVIII o filósofo já relatava a “agressão” à infância quando crianças eram educadas para assumir um papel na sociedade como futuros adultos.

O que vemos em uma sociedade “moderna” como a nossa não é uma maioria de pessoas frias e medíocres, e sim, de pessoas vazias de infância, vazias de liberdade infantil. E de que forma adultos que não foram crianças livres podem lutar pela liberdade das crianças para serem crianças?

Crianças precisam ser livres para sonhar seus sonhos coloridos, precisam ser livres para fantasiar, para ser o que quiserem, devem ser heróis ou heroínas, devem conhecer castelos, palácios, devem crer que sapos viram príncipes, em magias malucas, em lendas absurdas, em leões falantes… Ora! Se a vida se encarregar como certamente fará em desfazer as “loucuras” da infância, que seja no tempo certo em que já se chegou à fase adulta, chega dessa violência “maldita” em dizer: “Ele (a) precisa conhecer a realidade”. Que realidade? Vamos guardar a “realidade” para o tempo em que ela irrevogavelmente se fará presente. Deixemos as fantasias, as gargalhadas cheias de traquinagens, deixemos os bolos de lama, os amigos imaginários, deixemos os aparatos da infância na infância, e mais do que isso, deixemos a infância em nós mesmos, para que um dia de fato a luta pela preservação da criança seja plena.

Crianças não são pequenos adultos, são crianças, chega de violência aos sonhos dos “pequenos” e livres sonhadores.

Texto escrito para o blog Mãe Sem Fronteiras

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