“NÃO QUERIA CHEGAR SOZINHA”

alone

“Não queria chegar sozinha”, ouvi essa frase há algumas semanas por telefone, ouvi essa frase acompanhada de uma voz de desânimo que tentava me fazer acreditar que era melhor estar numa relação vazia de sentimentos, mas diante das pessoas, plena. Também ouvi contradições em torno de “não tenho medo de ficar sozinha e algo relacionado à idade”, isso dito a alguém mais velha, no caso euzinha, caminhando rumo aos 30.

Já vi um filme desses de comédia romântica, de uma moça que desiludida após uma traição, contratava um garoto de programa para ir a um casamento e se no filme, já achei um tanto estranho, na vida real, não é nem questão de estranhar, mas de se entristecer mesmo.

Há quanto tempo eu chego sozinha? Um dia em um bar pedi uma cerveja e o garçom me veio com a pergunta: “Esperando alguém?”, tomando café sozinha, alguém pergunta: “Esperando alguém?”. Você vai para um pub e ouve: “Sozinha?”.

Também já vi um seriado em que a moça vai ao cinema sozinha e todos olham para ela como se fosse algo estranho e realmente pensando bem, estar sozinho é estranho. Quem quer estar sozinho, quem quer se encarar? Quem quer estar consigo mesmo?

Gosto de conversar comigo na terceira pessoa, gosto de ler obras do Stephen King aos sábados, de ver filmes trash, de ouvir músicas de letras e estilos totalmente diferentes, assim como gosto de escrever sobre qualquer assunto, um dia muito cheia de alegria, no outro, pouca alegria, alguma esperança, enfim, estar sozinho consigo é algo “estranho” até você começar a saber bem quem é ou até conseguir conviver com a estranheza de ser para si mesmo um bom mistério a se desvendar.

Já tive sim, na adolescência e na primeira sequência dos vinte anos, alguns pensamentos limitantes de que era preciso ter alguém, ter um amor, ter uma pessoa para dividir a vida, enfim, não ser mais questionada em família do porquê estou sozinha, não ser questionada até mesmo por sexualidade — mesmo se eu gostasse de mulheres, isso não seria sinônimo de que então eu me relacionaria, porque tudo depende de fatores.

Acho que o que busco de fato é o inesperado, é o tenso e intenso, é aquele lance que a gente sentia na adolescência que tirava a fome e perturbava o sono, algo que se possa classificar de novo e para o meu eu, apenas.

Não quero chegar acompanhada por alguém que não saiba quem sou, que não me entenda torta como sou, falha como sou, maluca como sou, impaciente e ao mesmo tempo paciente como sou… Alguém que ache que coisinhas vagas, objetos vazios possam me impressionar, que ache que símbolos vazios possam me representar.

E não é uma questão de exigência não, é uma questão de sobrevivência. Como poderia viver me podando, sendo outra coisa, fazendo algo apenas para agradar alguém? Como poderia viver dizendo sim ao mundo e não a mim mesma, à própria vida, à própria alma?

Não me importam as fotos ilustradas com sorrisos, não me importam as músicas oferecidas sem significado, não me importam os valores dos objetos concretos, me importam as almas, os valores invisíveis, aquilo que é, aquilo que existe e que independe da aceitação do mundo.

Sempre faço as minhas preces e certa vez disse a Deus que se fosse para caminhar no vazio, preferia então caminhar comigo mesma e sozinha enquanto me for permitido existir.

E se o amor romântico quiser me encontrar, tem total liberdade, já que a distração se tornou parte dos meus companheiros favoritos de solidão e quem sabe por ela o tal do amor possa um dia me encontrar.

 

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