UMA MULTIDÃO DEIXOU DE SONHAR POR CONTA DA MULTIDÃO DE IMPOSSIBILIDADES

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Geovani Braga correu, correu, correu… e chegou

Um adolescente de 15 anos ingressa no atletismo sem ter certeza do que quer. Levaria dois anos para pensar em ser atleta. Esse adolescente era Geovani Braga, hoje corredor de carreira consolidada e treinador.

Com 17 anos participava de inúmeras corridas escolares. Depois de ficar em 5º lugar no III Jogos da Juventude (Ceará), em que completou 3 mil metros, ouviu que se pegasse firme, que se treinasse sério, teria chances de ser um bom atleta. Geovani ficou triste por ter perdido a corrida, mas ao mesmo tempo feliz pelos conselhos. Aquele rapaz estava encantado pelo esporte e ao mesmo tempo era uma espécie de peixe fora d’água, enquanto os outros garotos usavam sapatilhas com pregos (próprias para o atletismo), ele usava um tênis simples de futsal.

“Quando eu já estava indo embora, um treinador me chamou e perguntou onde e com quem treinava, eu respondi no CEUC-UFC (Centro Esportivo Universitário do Ceará). Então me fez o convite de que se eu quisesse treinar era só procurar por ele na pista de atletismo da Sede do Ferroviário Atlético Clube na Barra do Ceará. Uma semana depois, eu fui correndo da minha casa até este local mais ou menos dez quilômetros. Chegando lá, vi muitos atletas  bons  e daí surgiu o interesse em ser atleta, em me tornar um corredor”.

Não foi fácil para ele conquistar esse sonho, inúmeras vezes Geovani pensou em desistir, principalmente pelas dificuldades que vivia em sua casa. Muitas vezes saía para o treino sem tomar café da manhã, assim como não tinha os calçados adequados para treinar, tampouco competir:

“Uma grande parte das minhas competições eram em pistas e precisava de calçados apropriados para poder correr melhor. Em alguns momentos corríamos com sapatilhas emprestadas de outros atletas. Mas a minha força de vontade era muito grande para desistir de tudo. Foi dentro do atletismo que eu vi que podia ser outra pessoa. A cada treino que terminava, surgiam novas esperanças e aumentava a minha força de vontade. Eu tinha uma força dentro de mim, eu iria conseguir! “

O pai do atleta não gostava muito da ideia de vê-lo treinar e sempre o orientava de que era melhor que estudasse e trabalhasse para que ganhasse mais. Amigos o chamavam de maluco quando o viam correndo até à praia ou voltando dela: “Hoje eu vejo que tudo valeu a pena. Que cada gota de suor valeu a pena pelas conquistas que tive como atleta. A única pessoa que mais me dava incentivo era a minha mãe, ela ficou muito feliz quando eu cheguei em casa com a minha primeira medalha”.

O que motiva o professor e corredor é o prazer de estar bem. Hoje com 44 anos de idade, ainda tem a mesma força de vontade de lutar, de treinar e de competir: “Fico muito feliz em poder passar isso para as pessoas. Ver alguém correndo me deixa feliz. Treinar as pessoas para correr é muito gratificante. Ver um aluno iniciando na corrida, terminando uma corrida em qualquer distância que seja, isso não tem preço.”

Hoje Geovani sente que muitas pessoas confiam em seu trabalho, assim como muitas pessoas o procuram pela experiência e conhecimento que adquiriu sobre corrida e treinamento:

“Isso sempre será uma grande motivação para eu poder continuar na corrida: dando os primeiros passos para alguém. Sentindo a felicidade dos meus alunos ao concluir uma corrida. Estar no final do percurso e ver o sorriso estampando no rosto de um aluno e depois dizendo: ‘professor eu consegui, obrigado por acreditar que eu também conseguiria!’”.

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Arquivo pessoal de Geovani Braga

Qual era o seu sonho quando criança? Quais eram as suas expectativas? Como era a sua sede por mudanças? Te pergunto porque na infância começa nossa busca, começa o caminho, se moldam os sonhos.

E sempre que falo em sonhos, me sinto piegas, mas não conseguiria viver sem sonhar, sem um mundo paralelo, sem esse pulsar maior até mesmo do que a própria vida.

Conforme a caminhada, tantas coisas nos ocorrem, tantos ziguezagues, tantas confusões, tantos espelhos que não nos refletem, mas que refletem qualquer imagem que estranhamente sempre parece mais atraente do que a do próprio eu.

Muitos passam a vida olhando a vida do outro, olhando as conquistas do outro, a maioria se alegrando inclusive com aquilo de adverso que ocorre ao outro, numa manifestação de profunda mediocridade.

Se falo em sonhos, algumas pessoas riem, se digo sobre alguns planos, devem pensar:”que insana!” E há sempre quem diga que precisamos nos silenciar sobre conquistas, sobre realizações. Discordo! Não temos vida para viver como mortos, não temos voz e gestos para vivermos podados.

Não posso passar pela vida, sem falar de sonhos, sem falar de esperança, sem gritar que espero, sem dizer que luto para que se realizem de um jeito que me edifique como ser humano.

Não poderia falar em corrida atrás dos sonhos, sem um exemplo literal.

É preciso dar voz aos que sonham, é preciso plantar a semente do “eu posso” em um mundo que vive uma falsa certeza de que ser criança e acreditar é coisa da velha infância.

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Parte da Equipe Geovani Braga

Geovani Braga – iniciou a corrida em um projeto social da Universidade Federal do Ceará – UFC em 1987 e daí então, nunca mais parou. Hoje é formado em Educação Física e Pós-Graduado em Treinamento Esportivo. Tem sua própria Equipe de Corrida e várias conquistas, em duas destas, faturou a segunda posição na Maratona das Américas, na Índia (2008) e Cingapura (2009).

 

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