SHAKESPEARE JÁ TINHA A RESPOSTA

hamlet

Já fui chamada de revoltada, não uma, mas várias vezes, e todas as vezes senti desejo de cuspir em quem me disse isso. Talvez seja revolta mesmo, porque não me conformo com várias coisas em mim ou no planeta e penso incessantemente sobre várias coisas ao mesmo tempo.

Se quisesse ser cafetina das palavras e usá-las a meu bel-prazer, limitando-as a me servirem, apenas para que pessoas fossem confortadas pelas mesmas junções de palavras, poderia sim ser, mas penso no que eu pagaria de caro por essa pretensão maldita. Penso se realmente é importante que as pessoas sejam confortadas mesmo. Não seria também importante alguns gritos, algumas palavras mais espinhosas? Digo isso, porque foram esses momentos adversos e repletos de palavras não muito amistosas, algumas silenciosas, que me guardaram da morte em mim mesma, que me levaram a despertar.

Às vezes a gente prefere falar por personagens, a gente a que me refiro é esse monte de personagens que habita em mim, a gente fala por personagens para que de alguma forma falem conosco. Com Hamlet não foi diferente, com Shakespeare não foi diferente. Ele sempre soube que ser era a sua sina, Hamlet e Shakespeare, ambos sabiam, mas era preciso deixar um lirismo costurar essa condição de modo que tecesse as mentes humanas e as fizesse então bradar: SER!

Acha que nunca tive vontade de deixar de ser, digo existir, mesmo? Já! Muitas vezes pensei em ao menos me calar. E até me calei sim, me deixei agonizar por algum tempo, mas era atormentador e era como se todos os dias uma dor dilacerante atravessasse todos os espaços em minha alma.

A gente sempre pode escolher ficar para sempre na prisão ou se render a qualquer julgamento que seja, a qualquer sentença que seja. Definitivamente não fui feita para grilhões.

Ser é uma necessidade para a vida, para a alma, para continuar existindo de um jeito que se permita pensar: chegarei a evoluir? Ser é uma urgência, é um cálice que mesmo que se pare para pensar por um segundo que seja, é amargo de todo jeito. Então, qual é a recompensa? Por que ser é assim tão importante para as singularidades humanas? Porque dá alguma sensação de força, dá alguma visão do que transcende aos olhos, porque dá para ver o inferno gritante e também dá para sentir o que é real e vívido.

Ser talvez nunca me faça ser compreendida. A minha relação com as letras é meio louca e sem sentido talvez, elas podem me mostrar se quiserem, elas podem se fazer bálsamo para alguém se quiserem, mas eu, não tenho poder algum.

Ser é essa escolha dura, nem sempre é sinônimo de SER evoluído, pelo contrário. Ser é se expor, é se permitir até mesmo ser envergonhado se for preciso, desde que possa despertar em alguma alma esse desejo de vingar (existir) e de viver, na luz.

Shakespeare sempre teve a resposta, mas era preciso ser Hamlet, que precisava ser Shakespeare, que precisava despertar em algumas almas esse desejo de vingar.

As palavras não me permitem mentir, jamais li Hamlet, apenas ensaios, mas a vida também não permite que eu me prostre por essa limitação, porque SER a gente aprende quando descobre que vive.

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