Clamor do profundo abismo

black

Nunca imaginei que em algum dia me viciaria em séries, estou acompanhando pela primeira vez Friends e aí bateu uma curiosidade de ver Black Mirror, desatenta como sou, vi o primeiro episódio da terceira temporada, gostei e hoje (ontem) resolvi ver o primeiro episódio da primeira temporada… Olha, eu já vi coisas bem impressionantes que me perturbaram a mente, que não me deixaram dormir, como  O Iluminado ou  O bebê de Rosemary, mas nada comparado com o que senti vendo este episódio de Black Mirror. Quis vomitar e chorar.  Ao mesmo tempo em que via uma dura crítica à sociedade do espetáculo, me senti participante dessa sociedade pelo simples fato de continuar assistindo ao horror sem conseguir parar.

É tudo muito real e atual, é tudo muito sujo e atual, é tudo de agora, de hoje e é terrível. A era virtual que nos mostra apenas uma parte do infinito espaço, esconde uma podridão que nenhum olho, por mais treinado, está acostumado a enxergar, nenhuma alma por mais suja está pronta para descer mais e mais ao profundo das trevas.

Estamos entrando em espaços imundos e desnecessários para a nossa evolução espiritual e deixando de acessar a luz e tudo aquilo que pode nos proteger e engrandecer enquanto seres humanos. Estamos nos enlameando em ambientes tóxicos apenas por conta da efervescência de fuligens que encantam.

Estamos sempre experimentando o QUASE porque ser total, ser inteiro, ser em liberalidade e com essência parece ser muito complexo, longínquo, mas não. Estas trilhas em trevas nos levam para muito mais longe a ponto de nos questionarmos por anos e anos sobre quem de fato somos.

Ninguém mais consegue se enxergar ou agir naturalmente. Tudo tem um porquê que foge da missão de ser alguém nessa Terra. As pessoas querem entender as mentes e dar às mentes o que buscam, mas em troca, mutilações na alma são sentenciadas.

Está tudo muito louco, talvez eu esteja louca, mas é dolorido ver o que está acontecendo no mundo, agora. Não há esclarecimentos ou revoluções, há assassinatos de almas, os corpos vagam sem vida, sem luz e sem anseio em recuperar o fôlego. Tempos de trevas e de prantos. Há esperança? Sim. Onde? No exercício diário de se enxergar como partícula ínfima no Universo. Onde há barro, há Deus.

 

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