ENVELHECER

Estou vivendo a crise dos quase 30 e pode ser que muitas pessoas julguem como algo talvez fútil, exceto os profissionais de Psicologia (risos). Sou do tipo de pessoa que gostaria de ter muito dinheiro para poder se render com frequência a procedimentos estéticos, que não pode ver um novo creme antirrugas que já fica alvoroçada. Que olha para o espelho e vê pequenas linhas se formando e já pensa ‘Sou quase a Rose velhinha de Titanic’.

Tenho refletido sobre isso, sobre o meu processo de aceitação de algo inerente à vida humana: o processo de envelhecimento. O ser humano está programado para envelhecer e milhares de pessoas sequer experimentam essa fase porque têm a vida interrompida muito antes.

Na verdade vivemos em um mundo que muito reverencia a juventude, a beleza estética, que muito enfatiza que as crianças são o futuro e esse futuro se encontra na expectativa dos 20 anos de idade.

O envelhecimento não nos é apresentado com uma descrição de que será algo incrível, aliás, o que sabemos sobre envelhecer está mais ligado com os pesares, com as dores, com os problemas de saúde, com os sinais que o corpo emite, com alterações na disposição… E como eu já ouvi ‘ah essa disposição das crianças e jovens!’.

Adaline
Filme A Incrível História de Adaline

Se sou saudosista desde a infância, fico pensando em como será se eu tiver o privilégio de viver por mais alguns anos… Sim, tenho pensado no envelhecimento como o que de fato é: um privilégio.

Com certeza a gente já fez aquele exercício de ‘e se eu pudesse voltar no tempo’ e incrivelmente eu jamais gostaria de regressar, porque muitas coisas mudaram dentro da minha mente, no meu jeito de enxergar as coisas, na minha condição de evolução como ser humano.

Esses dias estava zapeando na TV e me deparei com o filme A incrível história de Adaline, uma mulher que após um acidente de carro, parou de envelhecer aos 29 anos! E vejam só a coincidência de justamente EU me deparar com esse filme… (risos)

Na história, Adaline sofria muito, jamais conseguia se relacionar amorosamente, via pessoas queridas envelhecendo e morrendo e a ela não seria permitido o curso natural da vida. O sonho dela era exatamente envelhecer como todas as pessoas e, enfim, descansar.

Envelhecer é de certa forma desafiador, é como avançar para uma nova fase na vida e se aventurar sem roteiros, sem possibilidades de ensaios, é descobrir a cada dia sem sequer pensar em descobertas.

Há muita imaturidade ainda em minha alma, há muitos medos, monstros, pesos que posso até identificar como bagagens culturais e sociais, mas estou nesse processo de compreensão de que é preciso se desprender dessa tentativa de conseguir entender ou ‘aceitar’. Não há o que aceitar, é preciso viver, prosseguir, aprender a pensar como um ser humano genuíno deve pensar.

Esse meu medo não estaria relacionado exatamente com esse comportamento de reverência à juventude e estética? E perceber isso, me obriga a me ‘autoexorcizar’ dessas formas limitadas de pensamento e que podam o ser humano de viver integralmente.

Envelhecer é o que só se descobre no ato, encantador eu sei que é porque sinto na alma uma gratidão por me perceber como ser existente a caminho de algo mais na vida. Quero os 30, 40, 50, 60, 70… Mas sobretudo, quero essa paixão ardente na alma que só surgiu agora, depois que me enxerguei como ser em revolução e em chamas.

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