Migalhas violentam a alma

migalhas violentam

Com certeza já leu que ninguém merece viver de migalhas. Mas também é preciso refletir que se alimentar com migalhas também está relacionado com a luta contra si mesmo. É como se a pessoa não se sentisse ‘digna’ de sentar na mesa e de ser servida como deve ser, porque precisa se esconder e se contenta com qualquer coisa que puder alimentar. Mas que não alimenta.

Qualquer força que se faz contra si, contra a essência, é violência. Qualquer esforço para tentar mutilar os movimentos da alma é consentir com a morte. Mas a violência pode ser muito voraz, certeira, pode cegar, incapacitar e por fim, engolir a vida.

O coração é muito frágil, como flor simples de outono, é belo e ao mesmo tempo cálido. Calmo e com uma dose elevada de tempestuosidade. Não precisa de muito, precisa de verdade, de respeito e de cuidado sincero.

Mas quando esse coração recebe mentiras, desrespeito e total desconsideração, vai perdendo aos poucos o viço, vai perdendo parte da beleza e do calor aconchegante e isso também se deve à raiz, se deve à alma, que recebeu como alimento, migalhas, violência.

Não sei se faz sentido o que escrevo, meu coração está anestesiado, paralisado, minha alma foi violentada com migalhas que comi porque quis. Migalhas não dão força à alma para resistir à violência. Migalhas não sustentam, apenas estraçalham o pouco que se tem de valioso e que é tanto.

É difícil sentar na mesa e participar do banquete quando se estava acostumado com as sobras. É difícil sentir dor, precisar voltar a alimentar a alma como sempre deveria ter sido, tudo novamente, do zero. Uma alma que estava acostumada a sentir fome, talvez se sinta inchada com melhores alimentos. Tudo vai ganhando outro significado.

Quando se percebe o quanto de violência a alma sofre, um processo de aprendizado se inicia ou se reinicia. Pouco a pouco o ser individual, único e sedento, começa a voltar à vida, com muita dor no início, mas as feridas estão abertas para que a infecção possa sair.

Viver de migalhas oprime, mas também pode conduzir à libertação da essência. O coração aos poucos recebe o alimento merecido, a dignidade que lhe fora retirada. Aos poucos, a calidez vai sendo recuperada e em breve, o coração poderá ser enxergado como a flor bela e simples de outrora.

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