Não temereis as máquinas!

escrita antiga

Os robôs que sabem montar leads e os jornalistas que se resumem ao exercício

Texto de Juliana Rodrigues

Não me amedronta a possibilidade das máquinas substituírem algumas atividades entre os jornalistas, até porque não creio na possibilidade da máquina substituir o jornalista humano, mas sim, aquele que já atua como uma. Os robôs são os nossos futuros colegas de profissão para informar de modo rápido e prático, muito distante do anseio de noticiar com amor, com sonhos, uma pitada de sarcasmo e isenção de verdade. Isenção de verdade não é isenção da VERDADE, é o abandono de ideologias extremistas. Onde há extremos, não há verdade, mas espaço para uma cegueira inútil.

Que venham os robôs! Sejam bem-vindos para um exercício que nunca fez parte dos sonhos dos jornalistas que sempre almejaram fugir de qualquer ato medíocre. O leitor hoje não precisa estar necessariamente informado, mas saber o que faz com a informação, no que aplicar no seu dia a dia.

O leitor precisa de luz em meio à nebulosidade que emprega tanta informação. É aí que o jornalista entra. Não como reprodutor de leads, mas com a autonomia que transformará a forma de ler, assistir, ouvir e reproduzir a notícia através das inúmeras formas de noticiar, o que inclui a arte e todos os recursos, principalmente de origem tecnológica. Estamos na era do jornalismo da reflexão! É um perigo para aqueles que estão cansados para navegar em um turbilhão de possibilidades.

A chegada dos robôs na imprensa não é o fim do jornalismo, mas o recomeço e a abertura para novas possibilidades. Quem sabe assim não empregamos melhor o tempo às matérias com maior fôlego e apuração. Quem sabe assim nós jornalistas possamos noticiar de uma forma libertária, com “padrões” humanizados, maior sensibilidade e empatia à notícia.

As máquinas apenas eliminam o trabalho medíocre, as atividades medíocres, mas jamais eliminarão tudo o que exigir afinco intelectual, emocional e até mesmo as habilidades manuais simples, mas com acréscimo de amor. O exemplo disso é a volta das confeitarias e bolos caseiros bem parecidos com aqueles que nossas avós preparavam para tomar café da tarde.

A única atividade que as máquinas não substituem definitivamente é o hábito de sentir, seja uma fatia de bolo nostálgica ou aquela notícia com alguns ingredientes especiais, inerente a nós, humanos: o amor, a crença e a entrega além de cliques. A entrega em prol de um serviço maior às almas, ao espírito e ao plural exercício de pensar.

Que venham mais articulistas, cronistas e histórias, muitas histórias. Muita investigação, apuração e mais histórias. O mundo precisa de contos reais e está carente de quem tem o dom desse exercício. Histórias reais: esse é o futuro do jornalismo.

O futuro do jornalismo não mudou, ainda continua sendo os sonhos e a capacidade de que temos de empregar a visão ao mundo. Não limite-se, o ato de limitar-se é o que fará com que as máquinas te engulam. Sinta sempre, reflita e não deixe que a quantidade de informação polua o nosso maior exercício, o ato de pensar, sentir e transmitir com liberdade. As máquinas são programadas e feitas em escala. Nós humanos somos únicos e originais, não seja mais um chip no mundo.

 

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