A arte já nasceu livre!

Marina exposição

O meu primeiro contato com o ocorrido no MAM (Museu de Arte Moderna) sobre a interação da criança com o corpo nu de um homem foi por meio de uma matéria no portal goiano O Popular. Li, e no mesmo momento me lembrei de Marina Abramović, uma das grandes precursoras da arte performática, quem sabe a maior, na minha concepção sim, eu a acho brilhante.

A arte é uma manifestação, é um estopim, que não se sabe o efeito que pode causar, pode gerar encantamento, raiva, agressividade, entre tantos sentimentos e também pode ser manifestada de diversas maneiras, inclusive, por meio da nudez. Particularmente achei desnecessário a mãe incitar a criança ao contato com o corpo nu, mas não coloco sobre a arte, sobre a exposição, o meu ‘julgamento’ sobre o que foi provocado em meus sentimentos ou sensações. É exatamente o depois, as discussões após a exposição, sobre a interação dessa criança, sobre o fato de a mãe ter permitido esse contato, é isso, essa ‘tempestade’ que merece ser analisada e sem a brutalidade de que tudo se acabe, de que não existam mais exposições, de que os olhos precisam ser vendados imediatamente, de que tudo é uma grande afronta à moral.

Houve uma exposição, com grande visibilidade na França e em Portugal, em que fotos de ânus eram exploradas e o questionamento era – Isso pode ser chamado de arte? Em protesto contra a ditadura, Tom Zé, lançou o disco Todos os Olhos, em 1973, em que um ânus ilustrava a capa. Pode ser considerada arte mostrar fotos de ânus em exposição ou em capa de disco? A intenção seria chocar ou mostrar a vulnerabilidade humana? Todos têm uma parte no corpo, escondida e digna de: ‘vergonha’?

Voltando à Marina Abramović, cuja exposição The Artist is Present exibida no MoMa (Museu de Arte Moderna de Nova York) ficou conhecida, principalmente, pelo seu reencontro com o amor do passado, o também artista Ulay. A exposição consistia na interação entre a artista e um visitante à exposição desconhecido, nenhuma palavra poderia ser pronunciada, apenas a observação era o instrumento. O corpo humano é uma manifestação de arte. Uma troca de olhares entre artista e mera humana com o público gera uma experiência nova de conhecimento de si e talvez do outro por meio do olhar, ou por meio do olhar do outro é possível também conhecer-se?

Marina já havia vivido uma experiência marcante, a artista sérvia na exposição conhecida como Rhythm 0 se apresentou com o corpo como objeto e permaneceu no local por seis horas, dando aos visitantes a possibilidade de que fizessem o que quisessem com aquele corpo inerte. Na mesa, próxima ao corpo de Marina, havia 72 objetos que poderiam ser utilizados, dentre eles: facas, penas, correntes, espinhos etc. Após a exposição, a artista saiu ferida, as roupas foram rasgadas e a pele foi perfurada com espinhos. Ao sair da sala, nenhum dos participantes teve coragem de olhar em seus olhos. Para ela, aquele trabalho revelava algo sobre a humanidade, como o quão rápido uma pessoa pode ferir em um contexto favorável.

Que a liberdade da arte não seja restringida, mas é um desejo tolo esse meu, porque a arte já nasceu livre. Provoca, pode gerar resultados agressivos ou que beirem a intolerância, mas ainda assim, que a luta interna do sujeito que recebe o ‘veneno’ da arte seja a de não sucumbir e, de enfim, receber uma resposta de cura quando se tolera a própria natureza irrefreável de impor qualquer julgamento como ‘ser superior’.

 

 

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